Atualmente muito tem se falado sobre a Psicologia do Esporte no Brasil, uma área em constante desenvolvimento que desperta o interesse de diversos profissionais das Ciências do Esporte como Educadores físicos, Fisioterapeutas, Médicos do esporte, etc, e claro de técnicos, treinadores, e atletas.
Mas o que é de fato a Psicologia do Esporte? Qual é o papel do Psicólogo NO Esporte?
Primeiramente é necessário que haja algumas quebras de paradigmas como, por exemplo, aquele de que o Psicólogo só cuida de “loucos”, ou que o Psicólogo será solicitado em determinado local e tudo será resolvido como se ele fosse “mágico” ou até “bombeiro”. No esporte, o Psicólogo irá atuar como sendo mais um membro da Comissão Técnica a serviço dos atletas não deixando de lado o corpo técnico.
O atleta para competir depende de sua preparação física, preparação técnica, preparação tática e preparação psicológica. Esses quatro fatores devem ser tratados com a mesma importância e, juntos, podem dar ao atleta ou a equipe melhores condições de obter resultados desejados.
A Psicologia do Esporte neste sentido é definida por Becker Junior como sendo a utilização de fundamentos psicológicos, processos e conseqüências da regulação psicológica das atividades relacionadas ao esporte, de uma ou mais pessoas praticantes dos mesmos. O foco deste estudo se remete às diferentes dimensões psicológicas da conduta humana, ou seja, afetiva, cognitiva, motivadora ou sensório-motora” e procura investigar detalhadamente os comportamentos cognitivos e emocionais dos atletas no contexto esportivo, criando procedimentos e técnicas para aperfeiçoar a relação com o meio em que vivem, visando à melhoria de desempenho do atleta.
Portanto é possível descrever segundo Cillo (2000) o treinamento psicológico no contexto esportivo e suas características sendo elas:
1) A ênfase ao desempenho do atleta e o uso desta para avaliar a efetividade de técnicas específicas de treino;
2) Reconhecer a distinção entre desenvolver um novo comportamento e manter (motivar) um comportamento existente;
3) Encorajar atletas à automonitoração de suas “performances” e a competir mais consigo mesmo do que com os outros;
4) Encorajar técnicos a usarem procedimentos específicos de modificação do comportamento como por exemplo: programação de objetivos a curto e longo prazo, imaginação, controle da atenção, auto-instrução e outros;
5) Focar o comportamento do técnico, assim como o comportamento do atleta, e encorajar o técnico a continuamente monitorar e avaliar o seu próprio comportamento de treinador;
6) Sugerir que os próprios atletas devem aumentar seu envolvimento no estabelecimento de objetivos e na avaliação dos resultados obtidos.
As funções primordiais do psicólogo do esporte dentro de uma equipe consistem na “descrição, a explicação e o prognóstico de comportamentos com o fim de aplicar e desenvolver programas de intervenção, buscando o melhor rendimento dos atletas e respeitando os princípios éticos” (SAMULSKI, 1995 apud RUBIO, 2000) vale ressaltar que todo esse trabalho sempre é realizado junto com toda a comissão técnica.
E o Papel do Psicólogo?
Primeiramente o psicólogo não pode jamais se tornar um torcedor fanático da equipe, pois perderá sua objetividade e será prejudicado nas suas avaliações dos atletas e do grupo. Como ser humano ele está exposto a sentimentos e emoções, mas deve saber manejá-los a partir do momento que estiver desenvolvendo o seu trabalho.
Portanto o psicólogo do esporte é mais um membro da comissão técnica a serviço de uma equipe, que utiliza suas técnicas, habilidades e conhecimentos em função da mesma, para poder manter um dos fatores primordiais: a preparação psicológica, saudável e preparada para lidar com os treinamentos e competições ao longo da temporada. É importante manter também certa distância do ambiente esportivo em si que possibilite ao psicólogo, observações e análises reconhecendo seu espaço e seu papel além de manter uma postura ética adequada neste contexto.
REFERÊNCIAS
BECKER JUNIOR, B. Manual de psicologia do esporte e exercício. 2. ed. Porto Alegre: Nova Prova, 2008.
CILLO, E. N. P. de. Análise do comportamento aplicada ao esporte e atividade física: a contribuição do behaviorismo radical. In: RÚBIO, K. (org.). Psicologia do esporte: interfaces, pesquisa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000. p. 87-99.
RUBIO, K. O trajeto da Psicologia do Esporte e a formação de um campo profissional. In:K. RUBIO, (Org.) Psicologia do Esporte: interfaces, pesquisa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
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