
Vencedores: jogadores do Bayern não conseguiram a conquista final, mas foram protagonistas de uma grande temporada (Foto: AP)
Dias depois, a final da Champions’ League, entre Internazionale e Bayern, continua sendo assunto.
No futebol, não existem derrotas individuais. Junto aos onze que perdem, em campo, perdem centenas, ou milhares, ou milhões de torcedores; perde uma cidade, que vê a chance de ter seu nome, sua bandeira e suas cores expostas, e honradas, perante outros tantos amigos esportivos.
O espetáculo em que se converteu o futebol, sobretudo o futebol moderno, tem orientado as percepções dos esportistas para a vitória. Pergunta-se sempre “Quem vai ganhar?” ou “Quem será o campeão”. Nada mais justo, em se tratando de uma competição. Faz-nos pensar, porém, no que sobra para o derrotado. Para a torcida do Bayern, frustrada (sem dúvida) com a perda da Europa, sobraram as recordações de uma excelente temporada e a memória de um time que, à parte a vitória final, soube vencer e dominar todo o panorama esportivo de seu país.
É isso que Sergio Mutulo, colunista (um dos melhores) do site italiano Calciopress, expõe em seu artigo Orgoglio Bayern, la cultura della sconfitta – em tradução literal: “Orgulho do Bayern, a cultura da derrota” – que reproduzimos na íntegra:
O orgulho do Bayern, a cultura da esportividade
A volta da equipe de Van Gaal, a München, foi triunfal, digna de uma vitória na Champions’ League. Os vice-campeões europeus do Bayern, ainda que derotados pela Inter, no Santiago Bernabeu, de Madrid, graças aos esplêndidos dois gols de Milito, foram festejados, em sua volta para casa, come se houvessem vencido a copa.
Pelo menos 20 mil torcedores, entusiasmados, estavam na praça do município, todos rigorosamente vestidos de vermelho e branco. Durante muito tempo, fizeram festa com seus jogadores, autores de uma temporada definida como “fantástica” por seus dirigentes.
Um encontro de alegria, que vale tanto quanto a conquista de um troféu. Kalle Rummenigge, um que, em seu carreira, já viu de tudo, também ficou surpreso. O ex-jogador não escondeu sua emoção com o amor demonstrado pelos torcedores à sua equipe do coração: “Temos torcedores fantásticos, que sabem sofrer e festejar, mesmo perdendo”.
Uma lição de estilo que faz par com a compostura demonstrada no Bernabeu, não obstante à desilusão pelo resultado adverso. Os torcedores do Bayern ficaram nas arquibancadas, a festejar vencedores e vencidos, segundo as regras da lealdade que deveriam permear quaisquer manifestações esportivas.
Chama-se cultura da esportividade (cultura della sconfitta), ou, mais simplesmente, cultura futebolística. Um estado de espírito que, na Itália, tarda a se difundir, também graças ao estímulo de um sistema midiático que, muitas vezes, direciona o contexto para a busca da vitória, a todo o custo.
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