Jamais havíamos presenciado um aquecimento de temporada tão “enfático”, no futebol italiano: nada menos que quatro equipes da Serie A tiveram problemas, dentro e fora de campo, em seus amistosos, na última semana. Os jogos envolvendo Cagliari, Catania e Brescia – que enfrentaram, respectivamente: Bastia, da Terceira Divisão francesa; Iraklis, da Primeira Divisão grega; e Larissa, elite do futebol helênico – terminaram em confusão generalizada, com participação de jogadores e, em alguns casos, torcedores. Já para a Fiorentina, que enfrentaria o Padova, o problema foi exclusivamente nas arquibancadas: pela possível presença de torcedores do Hellas Verona, amigos dos viola e inimigos declarados dos biancoscudati, a partida foi cancelada.
QUEBRA-PAU NA SARDEGNA. O primeiro jogo da série de “amistosos não tão amistosos” aconteceu na Sardegna, onde o Cagliari recebeu o Bastia, outrora finalista da UEFA Cup, hoje às voltas com o Championnat National, a Terceira Divisão do futebol francês. Com a bola em jogo, praticamente não houve história: muito superior, o Cagliari jogava à vontade e esmagava o Bastia contra o seu próprio campo. Ainda no primeiro tempo, a equipe cagliaritana abriu o placar, com Matri, que completou escanteio de Andrea Cossu. Na mesma metade do jogo, o Bastia, não podendo parar o jogo ofensivo do Cagliari, começava a abusar das faltas, que iam ficando progressivamente violentas; a consequência foi a expulsão de Lanzini.
A partir daí, o time francês deu início a um autêntica “caçada humana”. E o Cagliari respondeu com ainda mais futebol. Claro: com um jogador a mais, tudo tinha ficado muito mais fácil para a equipe da Sardegna. Ragatzu, após dar dois autênticos nós no posicionamento de zaga do Bastia, marcou os dois gols que fecharam o placar – ambos fintando o goleiro antes de concluir, em demonstração muita categoria.
Foi a partir de último gol, a quinze minutos do final, que começaram os problemas. Pouco depois da nova saída de bola, em um lance despretencioso no meio-campo, Jeda perdeu uma dividida e, ao tentar recuperar a bola, foi violentamente atingido, pelas costas, por um jogador do Bastia. Nem bem houve tempo para entender o porquê, todos os jogadores já estavam brigando, em campo. A torcida, agitada, fazia menção de invadir o gramado. Com a partida suspensa, alguns jogadores do clube francês foram ao alambrado provocar a torcida cagliaritana, que respondeu com insultos – alguns, inclusive, racistas.
CLIMA TENSO EM PINZOLO. Desde o início, notou-se que, entre Catania e Iraklis, clube da elite do futebol grego, não houve uma sinergia lá muito amistosa. Não só o time grego procurava faltas, como a equipe da Sicilia, ainda muito distante da forma que pode lhe render mais uma permanência na máxima série italiana, batia e jogava pouco futebol. O gol que definiu o placar saiu no primeiro bom lance da partida: o Catania marcou com Simone Pesce, aos 26 minutos da primeira etapa; todavia, nem o gol serviu para amenizar a tensão no campo de Pinzolo, onde o Catania faz sua pré-temporada.
O ambiente explodiu a vinte minutos do final, após o rossazzurro Barientos reagir descontroladamente por uma falta sofrida no meio-campo. Foi o bastante para que os jogadores das duas equipes partissem para a agressão. Após expulsar os mais violentos, o árbitro optou por suspender a partida.
Para o técnico do Catania, Giampaolo, conhecido por sua desportividade, não poderia ter acabado de uma maneira pior: “São coisas que não me agradam, porque, para nós, estas partidas representam análises, observações técnicas e, em geral, sobre o trabalho que fazemos. E não é aceitável. É preciso saber administrar também coisas como estas”.
CONFUSÃO DURANTE E DEPOIS DO JOGO. Storo, cidade da província de Trento, assistiu a um dos finais de jogos mais nervosos de seus últimos tempos. Ainda demonstrando o mesmo entrosamento que valeu o acesso à Serie A, o Brescia recebeu o Larissa, da Primeira Divisão grega. E quem viu os primeiros quinze minutos poderia jurar que o futebol reinaria soberano: à leonessa, bastavam uns poucos toques para que seus jogadores se entendessem e partissem com tudo para o ataque, enquanto os gregos jogavam um futebol honesto, ainda que inferior e, pelas circunstâncias do jogo, puramente defensivo.
Após muita insistência, o Brescia abriu o placar, aos 35 minutos de jogo, com Airone, e perdeu oportunidades seguidas de ampliar. Na segunda etapa, o jogo ficou um pouco mais equilibrado e as primeiras faltas um pouco mais fortes começaram a aparecer. O esporte acabou quando, numa discussão de jogo, o defensor Dabiza, do Larissa, dá uma cusparada em Hetamaj; começava uma confusão que demorou cerca de quatro minutos para ser controlada.
À diferença das outras partidas, em Storo, o jogo não foi suspenso. De volta ao jogo, o Larissa se aproveitou de um raro contra-ataque e empatou a partida, com um gol de Puri – que não teve dúvidas em comemorar provocando a torcida bresciana. Nos minutos finais, Hetamaj definiu a vitória do Brescia. Após os três apitos do árbitro, nova confusão entre os atletas, com a participação de alguns torcedores que invadiram o gramado; dessa vez, foi necessária a intervenção do policiamento.
DEMONIZAR, SIM. AGIR, NÃO. Em Dobbiaco, mais um município da cidade de Trento, o que deveria ter sido um amistoso entre Fiorentina e Padova não passou de mais um capítulo da “política de demonização” que está, aos poucos, afastando o público dos estádios italianos. Temerosa por uma possível presença de torcedores do Hellas Verona (amigos da torcida viola e inimigos daquela biancoscudata), a organização do confronto decidiu cancelar a partida sob alegação de manutenção da ordem pública. Uma medida muito mais cômoda que fiscalizar, e agir, efetivama e preventivamente, para minimizar e solucionar os confrontos.
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