
Quando a imagem vira produto: Southampton não permite fotos para cobertura de mídia de seus jogos (Foto: The Herald)
No último sábado (7 de agosto), foi dado o pontapé inicial na Football League One, a Terceira Divisão do Campeonato Inglês. Um campeonato que, ao contrário do que a hierarquia futebolística pode dar a entender, é de muito bom nível, conta sempre com bons públicos e abriga muitas equipes tradicionais. E, embora muitos gols e vitórias tenham acontecido, o destaque absoluto da primeira rodada da competição ficou para a segunda-feira seguinte, nas páginas do cotidiano The Herald: o triunfo do Plymouth, fora de casa, contra o Southampton, foi registrado com desenhos ao invés de fotos da partida.
O QUE ACONTECEU. Para esta temporada, o Southampton optou pela contratação de uma empresa responsável pela produção e comercialização de imagnes oficiais das partidas do clube em seu estádio, o Saint Mary. A medida, porém, não foi adotada como uma alternativa, mas se tornou a regra para a exposição da imagem do clube, que passou, assim, a ser “produtizada”: as fotos oficiais das partidas do clube, que devem ser compradas previamente, passaram a ser as únicas passíveis de exibição, como explicou a matéria do cotidiano The Herald:
A maneira de mostrar como o Plymouth Argyle começou a temporada com uma vitória parece coisa de revista em quadrinhos – mas estas imagens fazem parte da cobertura do The Herald e foram feitas após o rival Southampton banir a presença de fotógrafos durante o jogo. As ilustrações, feitas pelo historiador da cidade e colaborador do Herald, Chris Robinson, foram encomendadas em resposta à controversa decisão do Southampton Football Club em obrigar que os jornais comprem fotografias de uma única agência acreditada. O Herald, e muitos outros veículos, negaram-se em adquirir as imagens “oficiais” do Southampton.
ERRO DE PRODUTO E RELAÇÕES PÚBLICAS. É evidente que esta posição assumida pelo Southampton não tem a ver com uma simples antipatia com a imprensa, e, como praticamente tudo o que envolve o futebol inglês, deve ser analisada sob o ponto de vista do business. Uma análise rápida revela que o Southampton errou nas partes referentes à geração de produto e (principalmente) relações públicas.
Um produto existe para satisfazer uma necessidade já existente e ainda não atendida. Contratar uma empresa para comercializar imagens do clube em veículos de mídia, que possuem o natural interesse de pauta em fazê-lo, não atende ou incita necessidade alguma, apenas gera mal-estar.
No quesito de relações públicas, os erros do Southampton foram ainda mais graves e se concentram em um único ponto: a mídia.
Ao negar as fotos de sua partida, e restringir, assim, a cobertura de suas atividades, o clube corre o sério risco de abalar sua relação com a imprensa, historicamente uma das grandes responsáveis para que a prática do futebol atingisse o interesse que possui atualmente. É a partir da mídia que os torcedores (consumidores) – tanto da marca de um clube em particular (diretos) quanto os interessados no campeonato como um todo (indireto) – são atualizados e podem emitir juízos de valor. Cabe ao clube fiscalizar o tráfego do conteúdo, para que seja o mais correto possível, mas não o restringir.
Através da mídia, também, patrocinadores e incentivadores dos clubes conseguem expor suas marcas; não publicar imagens de um jogo, sabendo que essas empresas afins estarão distribuídas nos uniformes, nas placas publicitárias e ao longo de toda a arena esportiva é um claro dano de imagem a quem incentiva o clube. Pior do que isso: o patrocinador corre o risco de ser associado à prática, o que pode gerar reprovação entre seu público consumidor.
VOCÊ SE LEMBRA DO SOUTHAMPTON? O Southampton foi um dos clubes mais importantes para que o futebol inglês pudesse se desenvolver, ainda no século XIX e início do século XX, consagrando-se como um dos grandes entusiastas e formadores de novos atletas com base nas normas da Football Association. Ainda que indiretamente, o Southampton também faz parte da história do futebol brasileiro, pois foi por lá que Charles Miller marcou seus (muitos) primeiros gols antes de trazer o esporte para o então “clube dos ingleses”, o São Paulo Athletic Club – SPAC.
Os Saints, como são conhecidos, possuem apenas um título de expressão em sua história de 125 anos: a FA Cup, de 1976. Em 2010-11, o clube faz sua segunda temporada seguida na Football League One.
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