
O Portsmouth campeão da FA Cup de 2007-08. Apenas dois anos depois, os sonhos de glória já estão muito distantes (Foto: adifferentleague.co.uk)
15 de maio de 2010. Final da FA Cup. De um lado, o Chelsea, rico e atual campeão inglês. Do outro, o Portsmouth, lanterna da mesma competição, rebaixado e desmoralizado por um processo de falência.
Aos dez minutos da segunda etapa, o Portsmouth teve um pênalti a seu favor, com o jogo ainda empatado sem gols. Kevin-Prince Boateng teve a chance de repetir a fábula do Portsmouth de 2007-08, mas bateu para defesa fácil de Peter Cech. Apenas três minutos depois, o Chelsea faria o gol do título.
Este era apenas mais um dos capítulos da azarada história recente do Portsmouth, o histórico “Pompey”, que, já muito distante de seus melhores momentos, faz com que seus torcedores vivam dias de provação extrema.
ADMINISTRAÇÃO INEXISTENTE. Em 26 de fevereiro de 2010, o Portsmouth tornou-se o primeiro clube da curta, mais abastada, história da Premier League a entrar em processo de concordata administrativa, por um passivo total avaliado em cerca de 70 milhões de euros. Foi o epílogo de uma série de más decisões tomadas após a vitória na FA Cup, em 2007-08, e do sonho de ver o clube, pela primeira vez, jogar na Europa.
Nos primeiros meses da temporada seguinte, o então patrono do “Pompey”, o russo Alexandre Gaydamak, decidiu cessar os investimentos na equipe, que fora eliminada da FA Cup no quarto turno eliminatório e teve uma participação discreta na UEFA Cup.
No final da temporada 2008-09, o clube passou a negociar com o empresário árabe Sulaiman Al-Fahim, que passaria a controlar o clube; a aquisição, porém, só seria concluída no final da temporada. Enquanto isso, o clube sofria com a falta de investimentos e era obrigado a se desfazer de bons jogadores (administrativamente dizendo: bons ativos) rapidamente e, de acordo com as leis de mercado – e do desespero – a valores defasados.
Conforme a temporada 2009-10 foi caminhando, a corda apertava no pescoço do “Pompey” e do seu então novo proprietário. Em 1º de outubro de 2009, o clube reconheceu publicamente que estava em débito com seus atletas e dependentes.
Ao mesmo tempo em que se preparava o terreno para a outra passagem de propriedade, para outro árabe, Ali Al-Faraj – que seria sócio majoritário, com 90% das ações – o Portsmouth alternava boas e más performances no campo: a primeira vitória do time no campeonato só veio na oitava rodada, contra o Southampton; na Carling Cup, porém, “Pompey” chegou às quartas de final.
INFERNO. Lanterna absoluto do campeonato inglês e mergulhado em dívidas, o Portsmouth foi impedido pela Liga de realizar transferências na abertura do mercado de janeiro de 2010; uma proibição que foi parcialmente revogada apenas nos últimos dias úteis para negociações, que aconteceram, mas em baixo perfil. O elenco insuficiente e as vendas realizadas, nem de longe, eram o bastante para aplacar a grave situação patrimonial do clube.
Em 4 de fevereiro de 2010, o Portsmouth conheceu o seu quarto proprietário em menos de um ano, o empresário de Hong Kong, Balram Chainrai. Ele assumiu o clube como parte de um empréstimo não pago com o então acionista majoritário, Al-Faraj. Pior do que isso: as garantias dadas foram o estádio, as receitas de televisão do clube e a cota acionária da empresa de Al-Faraj.
Em 22 de fevereiro de 2010, mais uma golpe: Sulaiman Al Fahim, que detinha 10% das ações do clube e tinha mantido seu título de presidente, anunciou sua saída do clube.
FA CUP. OUTRA FALSA ESPERANÇA. Em meio a um verdadeiro terremoto nos bastidores, o Portsmouth seguia lutando no terreno de jogo. No mesmo tempo que praticamente confirmava seu rebaixamento para a Championship (a Segunda Divisão inglesa) após ter nove pontos deduzidos de sua já pouca pontuação – punição esportiva em conseqüência do processo de concordata que o clube atravessava – o clube conseguia o milagre de chegar à decisão da FA Cup.
Vice-campeão do torneio, o “Pompey” teria o direito de retornar à Europa League, pois o Chelsea, vencedor da competição, já estava classificado para a Champions’ League. Esse direito foi negado com base no regulamento de Fair Play Financeiro da UEFA – a enésima morte no coração de seus torcedores.

O Portsmouth posa com o uniforme reserva do DC United: desespero evoluiu para pastelão (Foto: dcunited.com)
QUAL FUTURO? Rebaixado, em processo de falência e ainda impedido de fazer movimentos plenos de mercado, o Portsmouth vai com o que possui de melhor e (muito mais destacadamente) de pior para a disputa do Championship, um campeonato de nível muito elevado – haja vista a campanha que o Newcastle precisou fazer para conquistar a promoção, na temporada passada.
O “Pompey”, claramente, está despedaçado. O único pilar que ainda está firme é a fé de sua torcida, capaz de dar ao clube uma média de mais de 18 mil torcedores na última temporada, a mais acidentada da história do clube.
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