Fernando Muslera. Após uma temporada um pouco acidentada pela Lazio, Muslera não chegou ao mundial com as melhores expectativas. Para a surpresa dos críticos, porém, o goleiro terminou as oitavas de final como o menos vazado do mundial e se apresentou bem em lances de perigo contra a sua porta. A partir das quartas de final, alguns problemas apareceram; o mais grave dele foi o seu posicionamento um pouco adiantado, que lhe rendeu alguns gols e muitos perigos desnecessários (na decisão do terceiro lugar, contra a Alemanha, por exemplo). Se somarmos tudo isso à sua grande participação na disputa de pênaltis contra Gana, chegamos a um veredicto plenamente REGULAR.
Martín Cáceres. Muito bom na marcação, mas quase inoperante em descer ao ataque. Se, por um lado, a sua presença impediu que o Uruguai corresse um sem par de perigos, por outro, a equipe se ressentiu de uma opção, na esquerda, em muitos momentos. A lateral é uma válvula de escape necessária neste Uruguai, em que o jogo se originava de Forlán, tendendo ao centro. No entanto, como sua performance nos duelos contra os atacantes adversários foi de bom nível, Cáceres merece um REGULAR.
Mauricio Victorino. Victorino foi uma verdadeira parede, no melhor sentido que a palavra pode ter quando dirigida a um defensor. Extremamente seguro na marcação, não deixou que as jogadas dos adversários progredissem pelo seu lado e mostrou poucos problemas, também, com bolas aéreas. Vez por outra, tentou dar apoio ao ataque na saída de bola – e aí não se saiu tão bem. No todo, vimos um jogador consciente de seu papel. BOM
Diego Lugano. Eis aí um capitão verdadeiro. Lugano esteve muito bem em seus jogos, com intervenções precisas e aquele “feijão com arroz” de que um defensor realmente precisa. Passou tamanha segurança à retaguarda que muitos de seus companheiros de setor pensaram o jogo a partir dele – basta lembrar que Gana conseguiu o gol contra o Uruguai minutos após sua saída, por contusão. Em recuperação, Lugano ainda teve tempo de declarar que “se não estivesse 100%”, não iria para a semi-final contra a Holanda, para “não prejudicar seus companheiros”, que precisavam de força máxima. ÓTIMO
Diego Godín. Bom na marcação, bom na cobertura e lúcido nas sobras, Godín teve apenas uma falha grave no mundial: para seu azar, foi no gol de Robben, que praticamente sacramentou a passagem da Holanda à final. Não nos deixemos condicionar por esse descuido, ainda que grave: Godín é um defensor de muito bom nível e, na ausência de Lugano, foi uma boa garantia na maioria dos confrontos. BOM
Andrés Scotti. Scotti substituiu Lugano, na partida contra Gana, e entrou em campo visivelmente nervoso; o espaço para o chute de Muntari, que surpreendeu Muslera, foi dado por ele. Ao longo do jogo (que seria o seu único) mostrou mais algumas “amnésias” defensivas. Redimiu-se convertendo um pênalti na disputa final, mas não foi o bastante. IRREGULAR
Jorge Fucile. Para Fucille, vale quase o mesmo que para Cáceres: um bom marcador, que deixa um pouco a desejar no seu apoio ofensivo pela lateral. Conforme os jogos foram passando, ele se arriscou um pouco à frente, sem muito sucesso. Teve, porém, uma excelente participação no jogo aéreo, afastando muitos perigos da área uruguaia. Na soma, foi REGULAR.
Alvaro Fernández. Alvaro deveria dar um pouco mais de vida à ofensiva uruguaia, mas acabou se destacando, mesmo, na contenção de jogo. É verdade que ele conseguiu distribuir algumas bolas, mas estas serviram mais para “desafogar” o jogo do meio do que para iniciar bons lances ofensivos. IRREGULAR
Sebastián Eguren. Eguren entrou apenas uma vez, nos minutos finais, contra a França, e não teve tempo de mostrar a que veio. SEM JULGAMENTO
Walter Gargano. Gargano teve pouco tempo contra a África do Sul e Alemanha. No jogo contra a Holanda, porém, pudemos vê-lo em ação. Seu primeiro tempo não foi bom, com um mau perfil na defesa e escapadas pouco inteligentes ao ataque. Na segunda etapa, refez-se e deu um bom apoio ofensivo, correndo, então sim, com direção e incansavelmente. “Raçudo” toda vida, conseguiu se manter na média. REGULAR
Maximiliano Pereira. Maxi também se destacou na marcação – tônica do time uruguaio. Em suas aventuras no ataque, altos e baixos: alternou momentos de muita velocidade, principalmente quando articulou jogo com Cavani, a outros de sumiço. Constância é importante e estivesse ele num bom dia contra a Holanda, a história poderia ser outra; em todo caso, foi dele o gol que deu um último suspiro de esperança ao Uruguai, na partida. REGULAR
Egidio Arévalo Ríos. “Encontrista” de primeiríssima linha, Arévolo impediu progressões e mais progressões dos adversários, dando uma grande segurança na proteção à zaga uruguaia. Suas idéias ofensivas, assim como o seu passe, porém, precisam de muitas melhoras. REGULAR
Diego Pérez. Também podemos classificá-lo como um “encontrista”, muito seguro nos combates com os adversários – Kuyt, que conseguiu vencê-lo apenas uma vez, que o diga. Pérez também tem boas idéias de ataque, que seriam mais eficientes se seu passe fosse um pouco melhor; mesmo assim, deu mostras de potencial ao iniciar a jogada do primeiro gol uruguaio contra a Alemanha, a partir de uma de suas muitas roubadas de bola. BOM
Alvaro Pereira. É um daqueles jogadores que põem a defesa adversária um alerta, pois corre como um louco e sempre procura o jogo, mesmo quando parece “impossível”. Sua movimentação, com e sem bola, foi muito boa. Marcou um gol contra a África do Sul; mesmo assim, sua finalização precisa de um pouco mais de capricho – ou calma, visto que Pereira é um jogador acelerado – para complementar com eficácia o seu jogo. Por enquanto, REGULAR – tendendo para bom.
Ignacio González. Gonzáles teve menos de um jogo para se mostrar (na estréia, contra a França). E por culpa dele mesmo. Discreto, quase escondido, não participou de praticamente nenhuma jogada e não iniciou os ataques. Claramente, não estava no clima. Um pecado mortal para uma seleção de raça como esta. PÉSSIMO
Nicolás Lodeiro. A estréia de Lodeiro, contra a França, foi um desastre: dois cartões amarelos em menos de meia hora de jogo. O alerta, todavia, serviu bem a ele, que estava pronto para os próximos chamados da equipe, e se mostrou muito participativo nos ataques, dando um pouco mais de consistência para que o Uruguai abrisse seu jogo ofensivo pelos lados do campo. Não é (e talvez nem chegue a ser) brilhante, mas, apesar de seu “lapso” na estréia, demonstrou-se REGULAR.
Diego Forlán. É preciso fazer uma estátua para Forlán. O homem que fez o Atlético de Madrid ganhar um torneio europeu após mais de 40 anos, também conduziu a seleção uruguaia para o seu melhor resultado, quatro décadas depois. Ele fez absolutamente de tudo, e sempre com qualidade rara: passou, lançou, articulou, partiu para o lance individual, bateu para o gol, marcou muitos gols decisivos e até assumiu a braçadeira de capitão, na ausência de Lugano. Demonstrou-se um daqueles campeões que o futebol não produz mais e, com a maior justiça, foi eleito o melhor jogador do mundial. Sabemos que estipulamos nossa avaliação, no máximo, em uma nota ótima; mas, para Forlán (e só para ele) vamos abrir uma exceção: EXCELENTE.
Sebastián Fernández. Fernández não teve muito tempo para jogar, quase sempre entrando em fases bem adiantadas das segundas etapas das partidas. No geral, não comprometeu, mas tirar uma conclusão de seu jogo vendo-o atuar por tão pouco tempo não seria justo. SEM JULGAMENTO
Luis Suárez. Goleador tem que ter classe, mas também deve se deixar guiar pelo instinto. Suárez foi uma página de boa selvageria esportiva na Copa do Mundo. Muito arrojado no ataque, formou uma dupla excepcional com Forlán e deu imprevisibilidade à manobra uruguaia. Sua participação no jogo contra a Coréia do Sul, em que decidiu a partida, primeiro com oportunismo, depois com individualismo, foi sensacional. Como também foi sensacional sua tentativa extremada de parar com as mãos o que seria o gol da vitória de Gana, nas quartas de final; atitude, aliás, que quase gerou um caso internacional a respeito de fair play. Centro-avante bom é assim, mesmo: causador de polêmica. ÓTIMO
Sebastián “Loco” Abreu. Abreu mostro o quanto é, de fato, louco ao tirar o fôlego mundial com a sua já histórica cavadinha, que decidiu a disputa de pênaltis contra Gana. À parte este lance, é preciso fazer as coisas por completo; e, se quisermos ser justos, devemos dizer que o “Loco” quase não conseguiu ser efetivo quando foi chamado ao combate, mesmo tentando muito. Em alguns momentos, como no jogo contra a Holanda, achamos que foi mal utilizado, tendo tão pouco tempo para jogar – mas, mesmo assim, não conseguiu demonstrar muita efetividade. Tudo somado, Abreu foi REGULAR.
Edinson Cavani. Cavani não é tão técnico quanto seus outros companheiros, mas sacou de todos os seus atributos (e inventou alguns outros) e realizou um mundial distinto. Seu grande mérito foi, quase como um externo falso, abrir a ofensiva da celeste pelos lados do campo – uma alternativa ao jogo um pouco mais centralizado de Forlán e Suárez – o que deixou a equipe com uma arma a mais. Equivocou-se um pouco em alguns lances e não concluiu com tanta qualidade, mas conseguiu se mostrar BOM.
Oscar Tabárez. O que dizer de um técnico que, depois de 40 anos, levou o futebol uruguaio de volta aos seus dias de glória? Considerada a situação, Tabárez deveria ser canonizado como padroeiro do país; mas como a camisa celeste, mesmo em momentos de carência e euforia, tem o dever de ser exigente, temos algo a dizer. Oscar teve todos os méritos em formar um time comprometido que, se não era bom, fez-se bom a partir de seus princípios. Em sua conta, porém, colocamos uma falha, grave, de análise de jogo: contra a Holanda, privo de Suárez, ao invés de entrar no jogo com outro centro-avante (Abreu) e manter o esquema, ele preferiu alterar o sistema de jogo, sobrecarregando Forlán – que fez de tudo e agüentou até onde pôde; jogando sem referência, foi fácil, até para a zaga central holandesa (reconhecidamente fraca) aniquilar uma boa parte do jogo ofensivo da celeste. Foi um “detalhe”, que coroaria ainda mais o trabalho, mas que está longe de manchá-lo. Os rapazes de Tabárez deram uma lição de amor à pátria que dificilmente será esquecida. Analisando toda a sua participação, é óbvio que ele foi BOM.
Não participaram: Juan Castillo, Martín Silva.
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esquadrao e demais cara queria um dia ouvir meu nome