

Enredo diferente para um final conhecido: menos divertida que em outras Copas, a Holanda viu escapar sua terceira chance de ser campeã (Foto: Reuters)
Maarten Stekelenburg. Para muitos, o melhor goleiro da Copa do Mundo. E também é o nosso caso. Stekelnburg se mostrou pronto para praticamente todas as bolas que foram contra a sua meta. É verdade: ele se deixou surpreender, mal posicionado, pelo chute de Forlán, contra o Uruguai. Como é verdade, também, que ele foi a única garantia real de segurança na defesa da Holanda durante toda a Copa – que o diga a defesa “improvável” no chute de Kaká ou as muitas intervenções na final. ÓTIMO
Khalid Boulahrouz. Jogou apenas duas vezes. Contra Camarões, entrou no segundo tempo e contribuiu para a marcação de forma linear, sem erros mas também sem destaque. Contra o Uruguai, na semi-final, foi realmente muito bem, dando combate tanto a Maxi Pereira, na esquerda, quanto a Forlán, na área. Poucas faltas na sua conta. REGULAR
Edson Braafheid. Entrou apenas no segundo tempo da prorrogação contra a Espanha, e o máximo que fez foi cabecear uma bola contra o próprio gol. Por que um jogador que não fora jamais utilizado na competição foi posto à prova logo no momento mais difícil se não recebeu confiança antes? Dado o pouco tempo (e a afobação da Holanda na partida), vamos deixá-lo SEM JULGAMENTO.
John Heitinga. Uma história é decidida com esforço, mas também em momentos. E o momento decisivo da Holanda, na final contra a Espanha, foi a expulsão de Heitinga, que prejudicou, e não pouco, o time, e destruiu completamente o jogo já comprometido que a “laranja” apresentava. Fora dessa partida, Heitinga mesclou momentos de eficiência a outros, de imperícia. Não é um “encontrista” de muita categoria e prevaleceu em confrontos contra times de poucos recursos, como Japão e Camarões (nos demais, parou as jogadas com faltas). Não gostamos de sua Copa. IRREGULAR
Joris Mathijsen. Praticamente repetiu Heitinga – fazendo menos faltas – até o jogo contra o Uruguai, em que conseguiu parar as descidas de Cavani, e na final contra a Espanha, em que fez de tudo para parar David Villa, e, de certa forma, conseguiu. Tudo somado, dizemos que foi REGULAR.
Andre Ooijer. Apenas um jogo para Ooijer: contra o Brasil, em que, como toda a equipe, “pulou miudinho” no primeiro tempo e voltou primoroso, na segunda etapa, complicando particularmente as vidas de Kaká e Luis Fabiano. Boa presença, seguro na marcação e atento às sobras, mostrou-se um pouco melhor que seus outros companheiros – ainda que por apenas um jogo. REGULAR
Giovanni van Bronckhorst. Van Bronckhorst tem o amplo mérito de fazer jus à sua braçadeira de capitão, sempre injetando moral em seus companheiros (ainda que seu setor não fosse dos mais técnicos da seleção). Foi muito bom na marcação – “segurou no peito” as investidas de Maicon, contra o Brasil – e um pouco tímido no apoio pela esquerda. Apesar disso, abriu o caminho para a vitória contra o Uruguai com um gol fantástico, de fora da área. BOM
Gregory van der Wiel. Foi um “Van Bronckhorst da lateral direita”, praticamente repetindo o jogo de seu companheiro, sendo bem menos efetivo na procura do ataque. REGULAR
Ibrahim Afellay. Entrou nas segundas etapas dos dois primeiros jogos. Contra a Dinamarca, teve apenas 15 minutos à disposição e não fez nada de destaque. Contra o Japão, substituindo Sneijder, teve uma melhora fantástica, apoiando o ataque e concluindo com muito perigo para o gol. Depois, não apareceu mais. Difícil entender a lógica de Marwijk, neste caso. REGULAR
Nigel de Jong. Quem acompanhou De Jong desde o início, ficou ansioso por um desempate: afinal, ele joga melhor do que bate, ou bate melhor do que joga? Por suas primeiras partidas, estávamos chegando à conclusão de que sua postura de marcação, que não comprometeu na maior parte do tempo, seria o fiel da balança no meio de suas faltas. Na final, porém, vimos a verdade no chute criminoso que deu no peito de Xabi Alonso (e, incrivelmente, não lhe valeu a expulsão): ele bate muito melhor do que joga bola. GRAVEMENTE IRREGULAR
Demy de Zeeuw. Dois jogos para ele: Dinamarca (na estréia, em que entrou no final da partida, sem tempo para nada) e Uruguai, em que começou como titular. De Zeeuw já fazia uma partida apenas discreta quando sofreu um chute involuntário de Cáceres, no rosto, e sumiu de vez. Condicionado pela pressão? Talvez. Em todo caso, também não nos lembramos de falhas de sua parte. Precisa de mais tempo (e uma injeção de ânimo) para se mostrar. IRREGULAR
Wesley Sneijder. Na Itália, Sneijder recebe muitas vezes o adjetivo strepitoso – barulhento, ruidoso, que sempre se faz notar. Na Copa, não foi diferente: suas proezas pessoais deram gols importantíssimos à Holanda – sobretudo os dois contra o Brasil – e seu toque de bola, combinando com os jogos de Robben e Kuyt, foram um dos grandes destaques ofensivos do mundial. Enganou-se em alguns passes longos, é verdade, e não brilhou na bola parada, uma de suas especialidades; mas a desilusão nos seus olhos, por como acabou o mundial, é o sintoma do quão guiado ele estava pela vitória. Uma pena que nem todos possam vencer. ÓTIMO
Mark van Bommel. Van Bommel comçou a Copa muito bem, desarmando adversários com categoria e ajudando o ataque com boas aproximações. Conforme foi fazendo estrada, porém, seu encanto se esvaiu. Bastou que Van Bommel se visse em jogos de atmosfera um pouco mais nervosa – a partir da fase de eliminação direta – para que ser espírito guerreiro, aos poucos, se transformasse em violento. O jogo contra o Brasil é de cineteca, e a “caixa de ferramentas” aberta por ele naquela tarde continuou condicionando suas participações até a final, em que foi um exímio “reclamador”. Van Bommel deveria se lembrar que é um jogador de meio-campo da Holanda, e que carrega uma hereditariedade importante; por isso, nenhum desconto para ele. GRAVEMENTE IRREGULAR
Rafael van der Vaart. Van der Vaart é um jogador ofensivo, e só ofensivo; e descobriu isso da pior maneira possível, ao tentar ajudar a defesa e falhar justamente no gol que deu o mundial à Espanha – uma situação “passável” se lembrarmos que a Holanda tinha um homem a menos e procurava a disputa de pênaltis. Em suas outras participações, Van der Vaart conseguiu dar uma boa velocidade ao ataque e até teve suas chances de gol. REGULAR
Eljero Elia. Vimos dois “Elias” no mundial. O primeiro, que jogou até as quartas de final, entrava nas segundas etapas e era um verdadeiro demônio pelo lado esquerdo do ataque, correndo como louco, chutando a gol (belíssima, a bola que explodiu na trave, no lance do segundo gol contra a Dinamarca) e deixando a zaga adversária perdida. O segundo, das semi-finais para frente, esteve de farol baixo, não conseguindo produzir jogadas realmente boas. Pareceu nervoso e, por longos tratos, com medo de jogar para frente, perdendo-se em um preciosismo desnecessário. Acusou a pressão no melhor da festa, mas tem bom jogo. REGULAR
Klaas Jan Huntelaar. Huntelaar poderia ter tido um pouco mais de tempo, pois se mostrou consciente nas vitórias, tendo para si a posse de bola no campo de ataque, além de prestativo nas conclusões e oportunista, como no gol contra Camarões. Ficou devendo qualquer coisa no jogo coletivo, mas terá tempo de corrigir este problema. BOM
Dirk Kuyt. Kuyt não tem vivido os melhores tempos de sua carreira no Liverpool, mas, com a camisa da “laranja”, mostrou seu verdadeiro jogo. Muito acionado nos ataques, e sempre correspondendo à altura, Kuyt tanto concluiu como (e principalmente) ajudou a fazer a ligação entre o meio e a ofensiva, com bons passes e progressões. Em nossa visão, na final, o barco da Holanda começou a afundar quando Marwijk resolveu sacá-lo da partida, desfazendo o tridente com Robben e Sneijder. Merecia ter sido campeão mundial. ÓTIMO
Arjen Robben. Robben é um jogador de decisão e, por isso mesmo, deve estar se torturando até hoje com o gol que perdeu, cara-a-cara com Casillas, e que valeria o título para a Holanda. É fato que ele traiu as expectativas no melhor da festa; mas também é preciso dizer que seu jogo não passou despercebido em nenhuma das outras vezes que esteve em campo: seus gols e lances foram decisivos para que a Holanda superasse a Eslováquia, o Brasil e o Uruguai, e tivesse a chance de tentar o título. Soma-se a isso o fato dele ter começado a Copa contundido e, segundo ele mesmo, não ter chegado aos 100% de suas condições. Para nós, ele ainda é ÓTIMO.
Robin van Persie. Van Persie é gol, certo? Também. Nesta Copa, ele foi muito mais um “pivô”, que preparou o campo para seus companheiros concluírem. Não se furtou a ajudar na defesa e se movimentou bem, atraindo muita atenção dos marcadores. “Mas e o gol?”; foi justamente este o problema: à parte a partida contra Camarões, na fase de grupos (em que a Holanda já era a primeira colocada e o adversário estava eliminado) ele não balançou as redes mais nenhuma vez, nem por acidente. Esse era o seu ofício principal e, pelo que não mostrou, somos quase obrigados a dizer que a “laranja” jogou sem centro-avante na maior parte do tempo. IRREGULAR
Bert van Marwijk. Mais resultados e menos espetáculo: se desse certo, a Holanda de Marwijk mudaria a história futebolística do país, mas não funcionou.
Sua Holanda, embora equilibrada no conjunto, teve deficiências, sobretudo no setor defensivo. Suas escolhas, por vezes, também não foram as melhores: jogadores como Huntelaar e Boulahrouz poderiam ter recebido mais oportunidades, e o turn over de Elia poderia ser melhor estudado. Marwijk abriu caminho para uma visão mais “mediana” das situações: talvez o título venha se a próxima Holanda souber adequar o seu jogo (e não esquecê-lo) em função dos resultados. A Holanda que vimos na final, violenta e sem demonstrar nenhum recurso, foi uma conseqüência desta postura de fins que justificam meios; prescindir de um jogador como Kuyt, quando é você quem tem a reputação de atacar, e precisa mudar a história de “vice-campeonatos”, foi uma loucura, e condicionou diretamente o resultado. No final, ele ainda fez questão de não ter a medalha de prata sob o peito. REGULAR
Não participaram: Sander Boschker, Michel Vorm, Stijn Schaars e Ryan Babel.
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