
Julio César, inconsolável: a maior decepção é saber que havia meios para se fazer melhor (Foto: Reuters)
Julio César. Como já dissemos anteriormente, um grande goleiro não se faz só com boas defesas. Que, em termos de técnica, Julio César seja o melhor em atividade no mundo, não há dúvidas; como também não há dúvidas de que ele não é um líder dentro de campo. A verdade é que, após a falha (que foi sua, e não de Felipe Melo) no gol de empate da Holanda, ele não teve o feeling de assumir a culpa e passar segurança à defesa. O goleiro é o termômetro do time; se demonstrar insegurança, ainda que seja uma só vez, é questão de tempo para que o terror contamine todos os jogadores. No final do jogo, ele ainda conseguiria dizer que “foi um resultado pelo qual ninguém esperava”. Talvez tenha sido traído por sua própria confiança. REGULAR
Maicon. Um dos grandes destaques da seleção. Forte na marcação e um verdadeiro motor pela lateral, Maicon valeu por um “atacante extra” – inclusive marcando um gol. Talvez ele tenha perdido um pouco da lucidez no péssimo segundo tempo contra a Holanda – mas ele sozinho não conseguiria saciar a inanição do ataque brasileiro. ÓTIMO
Daniel Alves. Entendemos muito pouco do mundial de Daniel Alves. Muitas vezes inseguro e, em alguns momentos, descontrolado, não foi bem na marcação e não iniciou boas jogadas. Nem na bola parada, uma de suas especialidades, conseguiu se destacar. O bom Daniel, que corria o campo todo e infernizava os adversários, nos tempos de Sevilla e nos primeiros tempos de Barcelona, hoje, é uma (bela) recordação. GRAVEMENTE IRREGULAR
Michel Bastos. Michel Bastos foi péssimo na estréia, melhorou um pouco contra Costa do Marfim e Portugal, conseguiu uma partida regular contra o Chile e, enquanto o Brasil estava bem, foi importante no jogo contra a Holanda. Para muitos, uma evolução; para outros (e é o nosso caso), uma demonstração de irregularidade, que privou o Brasil de jogadas pela esquerda por quase todo o mundial. IRREGULAR
Gilberto. Não começou nenhum jogo como titular e, quando entrou, deu melhoraras apenas discretas à marcação. Sua participação contra a Holanda foi esforçada, mas ruim: muitas vezes fora de posição, perdeu muitos dos combates de que participou. IRREGULAR
Lúcio. Como sempre, perfeito. Soube dosar raça, técnica e vigor físico na medida certa. Venceu os atacantes na maioria absoluta dos lances, teve iniciativa em buscar jogo na frente e até concluir para o gol. Poucas falhas para ele que, infelizmente, não pôde se multiplicar em mais de um, em campo. ÓTIMO
Juan. Outro dos irrepreensíveis. Juan é um defensor de categoria, arrojado em suas antecipações e seguro em suas recuperações. Colecionou, inclusive, um gol, e abriu caminho para a vitória contra o Chile. ÓTIMO
Felipe Melo. Felipe Melo foi vítima das circunstâncias. Se o Brasil fosse campeão, ele seria lembrado como um jogador de raça. Como acabou mal, ele será recordado como o homem que afundou o time, no jogo contra a Holanda, em que, mesmo fazendo um excelente lançamento para Robinho marcar, fez um gol contra e foi expulso de forma infantil. Situação muito previsível, aliás, vistos não só os primeiros jogos, mas toda a sua temporada, na Juventus, onde, assim como na seleção, bateu muito mais do que jogou bola. Resulta-nos que a culpa seja mais de quem o convocou do que dele. Quando analisamos seu jogo, porém, seu juízo só pode ser PÉSSIMO.
Gilberto Silva. Gilberto Silva vem de temporadas “estranhas” na Europa e muitos protestaram quando o seu nome apareceu na lista. Para a surpresa dos críticos, o bom Gilberto se mostrou razoavelmente eficiente e muito voluntarioso. Certo: não é o mesmo grande jogador de anos atrás; mas, sem dúvida, colecionou mais méritos que revezes. REGULAR
Ramires. Ramires é jovem e alguns de seus erros devem ser relevados. De modo geral, podemos dizer que ele foi um pouco inconstante, retardando alguns lances rápidos e querendo resolver rapidamente jogadas que precisavam de mais trabalho – prescindindo de seu excelente toque de bola para fazer lançamentos. Infelizmente, a maioria de seus companheiros mais experientes não deram a ele o devido respaldo. 2010 deve servir como laboratório para 2014, quando (aí, sim) ele não poderá sofrer descontos. IRREGULAR
Elano. Um dos mais criticados pela imprensa. E sempre dos mais úteis dentro do campo. Elano não é um jogador qualquer: ele é capaz de armar jogadas e atacar com lucidez – que o digam os seus dois gols. Sua perda, contra a Costa do Marfim, foi uma sentença de desequilíbrio do meio-campo brasileiro. Uma pena. BOM
Kaká. Depois de 2006 e 2010, a torcida brasileira espera que 2014 seja a Copa de Kaká. Sua estréia foi “inassistível”. Seu desequilíbrio contra a Costa do Marfim, quando entrou no jogo de provocação do adversário, foi inadmissível para um jogador de sua categoria. Contra o Chile, após o primeiro gol, ele apareceu; como apareceu, também, enquanto o Brasil esteve à frente da Holanda. A cada desse mundial, Kaká confirmou amplamente o rótulo de “jogador de resultado pronto” que tem recebido em Madrid. Evidente que ele foi convocado longe de suas melhores condições físicas e não conseguiria chegar ao seu máximo durante o torneio. Culpa dele ou de quem não levou um substituto? GRAVEMENTE IRREGULAR
Josué. Teve uma excelente participação contra o Chile, substituindo Felipe Melo. Seu toque de bola continua bom, e fez com que o meio-de-campo brasileiro jogasse para frente, com velocidade. Considerando seu bom desempenho (e o fato de ter sido reserva de quem foi), concluímos que foi mal aproveitado. BOM
Julio Baptista. Uma Copa do Mundo não pode ser vencida apenas por jogadores de boa mentalidade, principalmente quando o jogo não corresponde às intenções. Julio Baptista deveria ser o jogador a mais, o homem que, com sua raça, saberia dar uma sacudida moral no Brasil em momentos de baixa; no final, não conseguiu ser eficiente ou eficaz – ou “raçudo”. Parece-nos que existiam muitas outras opções à frente dele. E, novamente, a culpa maior é de quem o convocou. GRAVEMENTE IRREGULAR
Kleberson. Entrou apenas no segundo tempo do jogo contra o Chile, quando a parada já estava decidida. Francamente, não entendemos a sua convocação e, por isso, gostaríamos de deixá-lo SEM JULGAMENTO.
Robinho. Nos últimos anos, Robinho jogava “para o gasto” em seus clubes e arrebentava na seleção. Em 2010, de volta ao Santos, ele inverteu um pouco a premissa. Não que o mundial dele tenha sido de todo ruim; mas ficou evidente a sua tendência em aparecer apenas nos “melhores momentos” da equipe. Poucas pessoas irão lembrar de seu jogo em partidas duras, como aquela contra a Costa do Marfim, ou de sua atuação no segundo tempo contra a Holanda, pelo simples fato de que ele sumiu do jogo. Um excelente jogador, que se sentiu acomodado em alguns momentos. IRREGULAR
Luis Fabiano. Seis meses sem marcar gols, ainda mais quando combinados com um período de lesão, são demais para um centro-avante. Mesmo assim, Luís Fabiano foi convocado. O jejum de gols acabou – todos eles marcados contra adversários mais humildes (e um destes numa jogada de mão). No jogo que valia a Copa do Mundo para o Brasil, Luis Fabiano não deu um só chute a gol. Não serve de nada decidir na Copa das Confederações e trair as expectativas no melhor da festa. Sua tendência em não decidir grandes jogos, aliás, vem desde os tempos de São Paulo, atravessou o Porto e, vez por outra, ainda aparece no Sevilla; quem sabe se o apenas Fabiano, da Ponte Preta, de 1999, não enfrentaria a barreira holandesa de peito mais aberto. De coração partido – pois gostamos do jogador – seu juízo só pode ser IRREGULAR
Nilmar. O atacante mais rápido do plantel. E um dos que mais ficou no banco. Contra Portugal, Nilmar deu mostras de que bastariam umas poucas jogadas construídas em torno de seu arranque para que o Brasil fosse feliz. No tempo em que esteve em campo, foi um verdadeiro demônio e deu imprevisibilidade à manobra ofensiva. Dunga o colocou contra a Holanda com o Brasil já em desvantagem, a quinze minutos do final. Difícil entender o porquê de tanto desprezo por um jogador dessa categoria. BOM
Grafite. Jogou menos de 15 minutos pela seleção antes da Copa e foi convocado. Na Copa, jogou pouco mais do que isso. Com a palavra, o técnico da seleção brasileira. SEM JULGAMENTO
Dunga. 20 anos depois, a “geração Dunga” voltou. E se em 1990 o técnico brasileiro, então jogador e capitão do time, não teve culpa no resultado final, dessa vez há muito a ser dito. Dunga foi chamado após o fiasco de 2006 para dar vida a uma renovação nos quadros da seleção brasileira. Não vamos entrar no mérito de convocações esdrúxulas, como a do desconhecido centro-avante Affonso; mais do que isso, Dunga conseguiu se indispor com muitos dos bons jogadores experientes com os quais o Brasil poderia contar. Sua visão bruta do futebol, dos tempos em que era jogador, espalhou-se na seleção e o time passou a ser montado (e escalado) com o que não tinha de melhor. “Mas as conquistas vieram”. De fato: o Brasil ganhou tudo o que havia de menos importante. Ao que nos parece, Dunga se fez forte com suas convicções pessoais de disciplina e centralização, e perdeu o foco no resultado mais importante: a conquista da Copa. Sua lista final de jogadores foi uma indecência. Além de muito desequilibrada entre defensores e opções ofensivas, prescindir de um jogador como Ronaldinho Gaúcho, quando Kaká se encontrava em condições apenas parciais, foi uma loucura; não levar um centro-avante como Adriano e um lateral-esquerdo como Roberto Carlos, ou mesmo André Santos, que se encaixara como uma luva em seu esquema, beirou o incompreensível. A postura de Dunga durante os jogos da Copa também não nos agradou: um treinador precisa ter coragem para substituir os jogadores de nome quando necessário, coisa que, no último jogo do Brasil na Copa, faltou e muito – a ponto de Dunga fazer apenas duas das três substituições disponíveis. No final das contas, os nomes que vimos na seleção foram muito mais “conhecidos” do que aqueles que uma verdadeira renovação poderia trazer. No meio de tantos problemas, ele encontrou tempo para se fazer de rabugento com a imprensa, com os incrédulos e com o mundo em geral. Dunga se disse orgulhoso por ter resgatado nos jogadores o orgulho de vestir a camisa do Brasil, e comemorou o ambiente de pleno respeito e amizade; quem sabe se um pouco de conflito não faria com que a força criativa e a vitória surgissem. Tê-lo no banco da seleção nos últimos quatro anos não fez a menor diferença – como outro capitão não alteraria o resultado final de 1994. GRAVEMENTE IRREGULAR
Não participaram: Gomes, Doni, Luisão e Thiago Silva.
Leia Mais:

