
Arrojada no ataque mas deprovida na defesa: o pouco equilíbrio de jogo condenou a Argentina de Maradona (Foto: Reuters)
Sergio Romero. Entendemos que a Argentina não esteja atravessando a melhor safra de goleiros de sua história – mas quem já teve Ubaldo Fillol no gol não pode jogar com Romero. Ele não foi exigido seriamente muitas vezes até o jogo contra a Alemanha; e, justamente na partida mais importante, suas limitações gritaram. Sua “posição” no primeiro gol germânico já é um clássico: meio agachado, meio em pé, Romero esperava em mãos, à direita, uma bola que iria para a esquerda. Some-se isso a mais algumas saídas desajeitadas e uma ou outra defesa “no susto”, e chegamos a um juízo IRREGULAR.
Nicolás Otamendi. A verdade tem muita força. Otamendi foi protagonista de atuações razoáveis contra Grécia e México, seleções donas de dois ataques não muito eficazes. O ataque alemão, porém, precisou de apenas alguns minutos para descobrir que explorar a pouca técnica de Otamendi era um caminho e tanto para a vitória: praticamente todas as jogadas ofensivas nasceram em seu setor e não lembramos de tê-lo visto vencer um só confronto contra os adversários. Ao contrário, demonstrou-se um jogador inseguro, condicionado pela pressão e violento. Eis aí a verdade. GRAVEMENTE IRREGULAR
Martín Demichelis. Quem já conhece seu jogo, sabe que não se trata de um grande defensor – que o diga a bola que “deu de presente” para o gol da Coréia do Sul. Demichelis teve seus méritos por ser voluntarioso e até conseguiu marcar um gol, que abriu caminho para a vitória contra a Grécia. Em seu setor, porém, vimos um jogador um pouco afoito e seguramente colocamos em sua conta um excesso de confrontos perdidos e de faltas desnecessárias. IRREGULAR
Walter Samuel. Par muitos, o único defensor verdadeiro chamado por Maradona. Samuel não trai nunca: seguro na marcação e líder do setor, não só jogou com categoria como passou segurança a um setor carente de qualidade. Infelizmente, para ele e para a Argentina, contundiu-se após apenas dois jogos. BOM
Gabriel Heinze. O gol de Heinze, que valeu a vitória contra a Nigéria, foi de uma importância ímpar, numa partida que começava a se mostrar complicada. No setor de defesa, porém, pudemos notar um entrosamento insuficiente com os demais companheiros. Heinze deu muitos passes errados, perdeu bolas de forma inocente e quase nunca deu um apoio de qualidade. Não merece ser execrado, pois parece ter dado o seu máximo; mas, vendo sua Copa toda, ele foi IRREGULAR.
Nicolás Burdisso. O substituto de Samuel fez um mundial discreto. Como quase todos, ele colheu os louros nas vitórias e, contra a Alemanha, fez uma partida horrorosa. De modo geral, foi eficiente nos cortes, falhou um pouco nas antecipações e não conseguiu passar segurança à retaguarda como seu antecessor. Tivemos a impressão de que, em meio ao desastre nas quartas de final, Burdisso tenha tentado mais salvar seu pescoço do que o de todos. Erro grave. IRREGULAR
Clemente Rodríguez. Jogou apenas contra a Grécia, em que a defesa não foi muito exigida. Do que vimos, pareceu um defensor regular, com boa postura; todavia, não podemos julgá-lo por uma partida que não mudaria em nada a participação da Argentina na Copa. SEM JULGAMENTO
Jonás Gutiérrez. Gutiérrez joga no Newcastle, um clube fantástico que, em 2009-10, teve de jogar a Segunda Divisão inglesa. Talvez explique o porquê de, em seu mundial, ele ter se demonstrado “de segunda”, mesmo vestindo uma camisa de primeiríssima ordem. Que tristeza de jogador. Suas longas progressões no vazio – enquanto não encontrava marcação – podem dar a entender que ele foi prolífico; porém, bastava aparecer um opositor para que Gutiérrez não demonstrasse um só recurso, um passe, um drible que fosse, sem quaisquer condições de iniciar ou dar continuidade às jogadas. Destacou-se apenas em fazer faltas e tomar cartões amarelos. PÉSSIMO
Juan Sebastián Verón. O tempo passa para todos – mas Verón é inteligente, e sabe usá-lo a seu favor. Não tão utilizado quanto poderia (e deveria) mas, no tempo em que esteve em campo, foi importante para dar equilíbrio ao time argentino e “amansar” o ímpeto de uma equipe programada somente para atacar. Bom passe e boa armação – não tão ofensivamente forte como em outros tempos, é verdade, mas ainda eficiente. Um dos muitos jogadores que mereceriam ganhar uma Copa do Mundo e vão se despedir sem esse prazer. Para azar da Copa. BOM
Javier Mascherano. Um dos típicos jogadores que não são capitães só por causa da braçadeira. Mescherano é um construtor e destruidor de jogo, conforme a necessidade se apresente. Esteve impecável até as oitavas de final, contra o México. No jogo contra a Alemanha, vimos o seu jogo cair consideravelmente; não que ele, sozinho, conseguisse resolver todos os problemas de sua equipe, que eram muito mais defensivos e de módulo de jogo – mas ele tentou, ainda que um pouco mais violentamente que de costume e mostrando certa indecisão em alguns lances. No conjunto da obra, consideramos o ex-corinthiano REGULAR, tendendo para bom.
Ángel Di María. Palmas para Di Maria: acionado em quase todas as jogadas de ataque, pelos dois lados do campo, não se furtou a fazer seu trabalho nenhuma vez, sempre com qualidade. Tem passe preciso, lança e cruza muito bem, e também sabe concluir a gol com perigo. Um excelente jogador, que ainda pode presentear a torcida argentina com muitas ótimas atuações. ÓTIMO
Javier Pastore. É uma pena que Pastore nunca tenha começado como titular, pois se mostrou um jogador diferente, capaz de conduzir a bola com qualidade e partir, sem medo, para jogadas individuais. Que tenha se precipitado na leitura de algumas jogadas? É possível. Como também e possível que muitas outras ofensivas argentinas tivessem sido potencializadas por seu jogo. Gostaríamos de vê-lo em ação desde o começo de uma partida. BOM
Mario Bolatti. Soube dar proteção à zaga com muita distinção, com bons toques e uma boa noção de posicionamento sem bola. Isso, claro, até ser chamado para jogar ontra a Alemanha, em que caiu no desespero geral de da retaguarda, que sequer se tocou que Burdisso estava lá para ajudar. Com o nó que a Argentina levou dos germânicos, teve de se desdobrar, muitas vezes sem sucesso, e deixar sua posição desguarnecida. Demonstrou nervosismo em um momento importante, mas não pode ser de todo condenado, pois tem jogo para mostrar. REGULAR
Maxi Rodríguez. Foi muito bem em jogos “menores”, na fase de grupos, em que combinou boas jogadas ofensivas e mostrou muita perícia para não ser desarmado. A partir das oitavas de final, notamos uma queda de rendimento e uma grande indecisão em seu jogo: não foi muito acionado desde então, mas tampouco procurou fazer a diferença. Ficou devendo um quê de raça. IRREGULAR
Lionel Messi. Muitos jogadores se salvam pelo esforço, ou seja, por tentarem fazer as coisas. Um jogador como Messi, porém, tem que tentar e conseguir. Tentou concluir de todo jeito para fazer um gol e não conseguiu. Tentou de todos os modos fazer sua arrancada – aquela, em que deixa uma fila de marcadores para trás e sai na cara do gol – e não conseguiu. Tentou articular o jogo da Argentina, mas só conseguiu em pouquíssimas oportunidades. Conseguiu, todavia, ser visto pela FIFA como um dos concorrentes a melhor jogador da Copa do Mundo. Coisas (dos bastidores) do futebol. Nenhum desconto para ele: um jogador de seu porte tem que, de alguma forma, resolver as partidas. Longe de concordarmos com a entidade de Blater, dizemos que ele foi GRAVEMENTE IRREGULAR.
Gonzalo Higuaín. Se você esperar gols de Higuaín, ele jamais trairá (só nesta Copa foram cinco). Em sentido coletivo, porém, ainda falta alguma coisa para ele. À fúria de querer sempre chutar e definir as jogadas, Gonzalo às vezes mata alguns lances que poderiam ser melhor trabalhados – algo que se acentua ainda mais em uma partida como aquela contra a Alemanha, em que a Argentina precisava desesperadamente de um primeiro gol para tentar reagir. Um “fazedor” de gols, de técnica indiscutível, mas que deve procurar mais a equipe. REGULAR
Carlos Tévez. Algumas vezes alcançável, mas sempre incansável, Tévez mostrou um bom jogo coletivo nas primeiras partidas e brilhou individualmente, contra o México, com gols, e ataques seguidos a perder de vista. Como todo o ataque, precipitou-se um pouco no jogo contra a Alemanha, vítima, também, da desorganização espacial que o veloz time germânico imprimia pelo campo. BOM
Sergio Agüero. Agüero sabe concluir para o gol, mas sua pincipal função, nessa Copa, era a de incendiar as partidas com sua velocidade e capacidade de trocar passes em progressão. Deu sempre certo, e poderia funcionar também contra a Alemanha, se Maradona não o colocasse com o time já perdendo por 3×0. Não é o caso de dizer que foi mal aproveitado durante o mundial – mas, no jogo mais importante, não temos dúvida. BOM
Diego Milito. A temporada com a Internazionale foi feliz, mas longa e Milito foi chamado (e correspondeu) à responsabilidade em todo momento. Não sobrou muito para a Copa do Mundo, em que, é verdade, Maradona o usou pouco – mas é possível que um centro-avante do seu gabarito não consiga marcar um gol na Grécia? Diego acusou um pouco de cansaço. Prourou compensar ajudando a ofensiva de seus companheiros, mas, no todo, esteve abaixo das expectativas. IRREGULAR
Martín Palermo. Palermo é centro-avante. Centro-avante vive de gol. Ele teve apenas dez minutos de jogo, contra a Grécia, e guardou o seu. Não dá para contestar um jogador desses. Pena não ter entrado em campo outras vezes. ÓTIMO
Diego Armando Maradona. Maradona foi chamado num momento de grande incerteza para a Argentina, arriscada a fracassar nas eliminatórias e, aos trancos e barrancos, conseguiu levar o país para mais uma Copa – após uma vitória histórica, contra o Uruguai, em plena Montevidéu. Seguro da vaga, pensamos que Maradona poderia trabalhar melhor a convocação. A clara intenção de Dieguito foi montar um time orientado para o ataque, que ressaltasse as virtudes do futebol ofensivo argentino. E não podemos dizer que ver a sua Argentina jogar não tenha sido algo divertido enquanto durou; todavia, assim como aconteceu com Dunga, no Brasil (por motivos diferentes), temos a nítida impressão de que o agora técnico Maradona tenha perdido o foco na vitória do mundial, que era muito mais importante. Para isso, a Argentina precisava de mais gente para comandar e dar proteção à defesa (Cambiasso e Zanetti, imperdoavelmente, ficaram em casa). Servia, também, um pouco de leitura de jogo, algo que ele ainda não possui “jogando do banco”: bastou que a Argentina se encontrasse em dificuldade uma única vez (contra a Alemanha) para que todo o time não soubesse como reagir e fosse rumo a um desastre. Verón poderia ter entrado tranqüilamente na segunda etapa do jogo contra os germânicos, assim como Messi poderia (e deveria) ter saído. No final das contas, porém, podemos dizer que ele foi extremado como os sentimentos que brotam de uma letra de tango: ou excelente, ou péssimo – nunca no meio-termo. Vamos lembrar para sempre de como, ao final dos jogos, ele fazia questão de abraçar cada um de seus jogadores, e de como ofereceu os ombros para que todos eles chorassem após a derrota. De fato, o grande showman da África do Sul. REGULAR
Não participaram: Mariano Andújar, Diego Pozo e Ariel Garcé.
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