
Manuel Neuer. A Alemanha continua na trilha dos bons goleiros: Neuer foi ágil e seguro quando exigido, e mostrou uma boa postura de liderança da defesa. Na semi-final contra a Espanha, teve um atuação de gala – só não pôde defender a “cabeçada-chute” de Puyol. Contra ele, apenas um parêntesis: seus cinco minutos de pane, contra a Inglaterra, em que saiu mal no gol de Upson e se fez surpreender por Lampard (num gol não confirmado) quase colocaram tudo a perder – algo que, todavia, não se repetiu mais durante seu mundial. BOM
Jörg Butt. Fez apenas um jogo na meta germânica: a disputa do terceiro lugar, contra o Uruguai. Mostrou uma ou outra incerteza, provavelmente porque não jogara nos últimos sei jogos, mas, no geral, soube comandar bem a sua defesa. Não teve culpa em nenhum dos dois gols. REGULAR
Philipp Lahm. É um inferno ter Lahm como adversário. Muito bem na defesa, ele também se mostra excelente em suas descidas ao ataque, capaz de trocar passes em progressão e ir à linha de fundo com muita facilidade. Vimos ele um pouco “amarrado” contra a Espanha, o que se deveu à insistência espanhola em procurar o ataque. É dono de muitos recursos e, com certeza, será um dos pilares de jogo das futuras “Alemanhas” – quem sabe – vencedoras. ÓTIMO
Arne Friedrich. Zagueiro de ofício, que sempre procura fazer as coisas mais simples e com seriedade. Um marcador consciente de seu papel, que precisa apenas dar mais qualidade às suas antecipações em jogadas de velocidade, nas quais ficou em desvantagem na maioria das vezes. Conseguiu, ainda, um gol, contra a Argentina. BOM
Jerome Boateng. Um leão na defesa, mostrou ser um marcador incansável, impedindo muitas vezes que os adversários fossem à linha de fundo. Seu apoio ao ataque pelas laterais tem menos qualidade que aquele de Lahm, mas se mostrou eficiente em alguns cruzamentos. Tem boas margens de melhoramento. BOM
Marcell Jansen. Foi prolífico quando substituiu Boateng, na lateral-esquerda, atacando constantemente – às vezes, é verdade, com alguma afobação. Na decisão do terceiro lugar, estava “esquecido” no campo, até que, em sua única chance, fez o gol que empatou a partida. Jogador de equipe. REGULAR
Per Mertesacker. Não há sobra de bola quando Metesacker está na defesa. Seu tempo de bola é excelente para “liberar” a defesa e desarmar os adversários. No jogo aéreo, deixou um pouco a desejar – que o diga o gol de Upson, no jogo contra a Inglaterra; todavia, foi o único fundamento em que ele colecionou mais revezes que virtudes. BOM
Holger Badstuber. Apareceu apenas nos dois primeiros jogos e se mostrou melhor na contenção do que no apoio ao ataque. Aliás, quase nunca se arriscou à frente, pela esquerda – na partida contra a Sérvia, por exemplo, era necessário fazê-lo para dar uma segunda opção às jogadas centrais. Não foi bem. IRREGULAR
Dennis Aogo. Apareceu apenas na decisão do terceiro lugar e foi esforçado – o que não significa que tenha jogado bem. Seu jogo ofensivo pela esquerda, seja como lateral ou no apoio, como externo, não apareceu. Talvez não estivesse pronto para o chamado de Löw no último jogo do mundial – ou sequer acreditasse mais nele. GRAVEMENTE IRREGULAR
Mesut Özil. A Alemanha descobriu um garoto de ouro. Meia puro, Özil tem grande facilidade em “inventar” espaços em meio à marcação: possui excelente visão de jogo, passe e lançamentos precisos, e consegue dispor de recursos individuais para dar continuidade às jogadas e valorizar a posse de bola. Mostrou-se um jogador de decisão ao fazer o gol que classificou a Alemanha para as oitavas de final, contra Gana, em meio a muitas dificuldades. No jogo contra a Espanha, acusou um pouco de inexperiência ao ficar preso na marcação, o que não foi suficiente para ofuscar seu mundial. Seguramente, as futuras seleções alemãs poderão se basear em seu jogo. ÓTIMO
Sami Khedira. Soube dar proteção à zaga germânica. Enganando-se em uma ou outra antecipação; uma destas, infelizmente para ele, resultou no gol de Puyol – uma falha pontual, mas grave. Fora de sua posição, mostrou uma boa disposição ofensiva, com chutes perigosos. Foi dele o gol que definiu o terceiro lugar da Copa, contra o Uruguai. BOM
Toni Kroos. Na maioria de suas participações, não teve muito tempo de jogo, mas quando se mostrou em condições, repetiu Khedira – sem a falha contra a Espanha, claro – embora menos eficiente em seu apoio ao ataque. Seu trabalho defensivo, porém, foi muito bem feito. BOM
Thomas Müller. Müller, que há pouco tempo jogava no segundo time do Bayern, foi chamado à surpresa por Löw e conseguiu encantar. Gols, assistências, ligação constante com o ataque e muitos pesadelos para as defesas adversárias. Esteve ausente no jogo contra a Espanha e foi nítida a queda de rendimento do setor ofensivo na partida. Voltou na decisão do terceiro lugar para, mais uma vez, ser protagonista de uma atuação decisiva. ÓTIMO
Piotr Trochowski. O turn over de Müller teve oportunidades nas segundas etapas das partidas e, embora sem a mesma qualidade de seu titular, soube dar velocidade ao ataque. No jogo contra a Espanha, em que teve a chance de ser titular, brilhou pouco, cúmplice também de um entrosamento ainda insuficiente com seus companheiros de setor, que já se entendiam perfeitamente com a formação anterior. Precisa de mais oportunidades para mostrar suas características, mas, pelo que vimos, fez um mundial de jogador REGULAR.
Bastian Schweinsteiger. Você se lembra do Schweinsteiger de 2006, no ataque, meio desajeitado? Esqueça-o. Löw o “inventou” no meio de campo e descobriu outro jogador, rápido, lúcido, de excelente toque de bola em progressão e capaz de criar jogadas em quase todos os lances. Suas atuações contra Inglaterra e Argentina, quando, muitas vezes individualmente, deu um nó nos sistemas defensivos adversários, foram fabulosas. Infelizmente, para ele e para a Alemanha, não esteve numa de suas melhores jornadas contra a Espanha – mérito também da boa marcação adversária, que o induziu ao erro. Mesmo assim, tudo o que vimos nos dá o direito de dizer que Schweinsteiger foi ÓTIMO.
Marco Marin. Entrou apenas nas etapas finais dos dois primeiros jogos. Contra a Austrália, não teve muito tempo; já contra a Sérvia, em que substituiu Özil, ele teve um pouco mais de oportunidade, e vimos que ele seu raciocínio de jogo estava um pouco abaixo do de seus companheiros, provavelmente porque a Alemanha tinha um time titular e alternativas tão bem definidas, que acabaram por tirar espaços de novas opções – ainda mais quando não se mostram bem. IRREGULAR
Miroslav Klose. Três gols na temporada não indicam um bom handicap para um home de área. Klose, porém, reverteu na seleção a má estatística que trazia do ano no Bayern, estando a ponto de ultrapassar o recorde de gols de Ronaldo Fenômeno em Copas do Mundo; faltaram dois – que ele teria conseguido tranqüilamente na partida contra a Austrália, em que marcou o seu e desperdiçou mais quatro. Nas outras partidas, Klose manteve sua regularidade de boas atuações e luta, e conseguiu mais gols em jogos importantes, contra Inglaterra e Argentina. Tentou de tudo contra a Espanha, mas a bola não chegou a ele. BOM
Mario Gómez. Gomez inverteu Klose: vindo de uma temporada muito boa pelo Bayern, não conseguiu mostrar seu jogo e seus gols. É verdade que teve pouco tempo, nos dois primeiros jogos; mas, quando revemos suas conclusões contra a Inglaterra (três ou quatro boas bolas chutadas ao nada) e, sobretudo, o farol baixo que demonstrou ao entrar contra a Espanha – no jogo que valia a final da Copa – não é possível dar nenhum desconto a Super Mario. GRAVEMENTE IRREGULAR
Lukas Podolski. Podolski está em bons níveis de sua maturidade esportiva. Nesta Copa, não se permitiu ser apenas um atacante, mas também ajudou na armação das jogadas e, quando foi preciso, na marcação. Deixou as defesas de Inglaterra e Argentina em polvorosa a cada nova arrancada ou chute, sempre com muito perigo. Contra ele, o pênalti desperdiçado contra a Sérvia, que poderia ter saído caríssimo à Alemanha, e seu jogo abaixo das possibilidades contra a Espanha – em que todo o time alemão sentiu a postura vencedora do adversário. No geral, foi plenamente BOM.
Cacau. O gol de Cacau, contra a Austrália, logo em seu primeiro lance no jogo, foi comemorado com euforia (na Alemanha e no Brasil) e deixou uma boa expectativa para suas próximas participações. A ansiedade geral foi traída com sua fraca atuação diante de Gana, num jogo que poderia custar a eliminação germânica. Depois disso, Löw o chamou apenas nas segundas etapas de alguns jogos e, vendo as atuações de Cacau, temos que dar razão ao jovem técnico alemão: muito empenho e pouca qualidade, ele esteve muito distante da área, onde seu jogo realmente acontece. Não é o caso de gritar ao escândalo, pois Cacau tem bons recursos, mas ocorre uma melhor adequação sua em relação à equipe. IRREGULAR
Stefan Kiessling. Entrou contra a Inglaterra praticamente no final do jogo, mas se mostrou de muito bom nível na disputa do terceiro lugar, contra o Uruguai, com ataques constantes. Não está no mesmo nível técnico de seus companheiros de setor, mas, dadas as circunstâncias, poderia ser uma boa opção de turn over em alguns casos – talvez no jogo contra a Espanha, em que Müller não estava à disposição. REGULAR
Joachin Löw. A necessidade é a mãe da invenção. Quando Löw se viu privado de jogadores importantes (dentre os quais Ballack, contundido às vésperas do mundial), foi obrigado a mudar o estilo de jogo da Alemanha para se apresentar nas condições que o peso da camisa exige. Deu maravilhosamente certo. O jovem técnico foi arrojado em lançar mão de jovens e dar “novas dimensões técnicas” ao já conhecido jogo mecânico alemão. A combinação de fantasia com frieza de decisão de sua equipe poderia, sim, ter sido premiada com o título, não fosse o jogo contra uma Espanha mais rodada e determinada; nesta partida, tanto o técnico quanto alguns jogadores acusaram certa inexperiência, que, todavia, não foi um limite de caráter, visto empenho e a festa que fizeram com a conquista do terceiro lugar. Quem sabe (quem sabe) Löw tenha estudado mal algumas alternativas – como a ausência de um “plano B” à altura de Müller; mas não há nada para se lamentar, absolutamente: o que poderia ter sido feito, foi (muito bem) realizado. Sua Alemanha ainda pode voar muito alto. BOM
Não participaram: Tim Wiese e Sedar Tasci.
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