Atual campeã do mundo, a Itália confirmou a maioria das críticas que tem sofrido e, mostrando claramente suas fragilidades, não soube ir além de um empate com o Paraguai. No outro jogo, a Eslováquia, que já contava com a vitória, contra a Nova Zelândia, viu o objetivo escapar no último minuto.
Itália 1×1 Paraguai
Dia de defesa de título é sempre diferente: o estádio Green Point, na Cidade do Cabo, recebeu mais de 60 mil pessoas para presenciar a estréia da atual campeã mundial, a Itália, que enfrentaria o Paraguai. A Azzurra, aliás, mais que combater o Paraguai, deveria lutar contra a desconfiança criada por seus péssimos resultados na fase de preparação. Marcello Lippi, atual técnico campeão do mundo, também começaria a travar sua batalha pessoal contra a impresa italiana, que, desde o inicio de seu trabalho, atacou-o por se direcionar contra o clamor popular, não convocando grandes nomes do Campeonato Italiano, como Totti, Cassano e Del Piero, e dando confiança à maioria do elenco campeão em 2006, já quatro anos mais velhos. O Paraguai, ao contrário, não queria ouvir razão à possível crise do adversário: em sua nona Copa do Mundo, e vindo de uma excelente campanha nas eliminatórias sul-americanas, o time sonha em surpreender.
Quem começou surpreendendo, porém, foi a Itália, que foi a campo um pouco mais agressiva do que suas origens tático-defensiva poderiam prever. Talvez uma alternativa à ausência do meia Pirlo. Seguramente, uma constatação de que, sem Pirlo, a Azzurra é um time sem grandes possibilidades de ataque. A pressão italiana dos primeiros minutos foi apenas de posse de bola. No campo, molhado pela chuva, os paraguaios não demoraram para abrir a “caixa de ferramentas”; o principal alvo era De Rossi, que procurava sempre partir em velocidade após trocar bons passes com Montolivo ou Marchisio. A partir dos 20 minutos, o Paraguai equilibrou o tempo de posse de bola e, aos poucos, tentou partir para o campo adversário; Vera e Valdéz, sem dúvida, eram os mais perigosos, mas sempre se encontravam com Cannavaro e Chiellini muito generosos nas antecipações.
Aos 28 minutos, a Itália criou a primeira jogada realmente perigosa da partida: no escanteio batido por Pepe, a bola, que se oferecia para Iaquinta (sozinho, diante do goleiro) foi cortada por Alcaráz, no limite. E foi o próprio Alcaráz, minutos depois, quem mudou o rumo da partida: de cabeça, aos 39 minutos, ele tirou o primeiro zero do placar, após excelente cobrança de alta de Torres para dentro da área italiana. Alegria paraguaia e um golpe duro de ser assimilado para a Itália que, até então, não tinha dado um chuete efetivo contra o gol adversário.
Na segunda etapa, Lippi foi obrigado a trocar o goleiro Buffon, que acusou um incômodo na região ciática, por Marcehtti. O dever de empatar o jogo complicava demais a Itália, que não raramente abdicava do lado direito de seu ataque, onde havia uma verdadeira “avenida”, para buscar a esquerda, por onde era tudo mais complicado. Os erros de passes se multiplicavam, e o Paraguai geria o jogo com tranqüilidade. O que deu vida nova para a Azzurra foi a entrada de Camoranesi, um dos campeões da Copa passada, que passou a ser o condutor do jogo e fazia da o time ser mais lúcido. Aos 17 minutos, a recompensa: Pepe cobrou um escanteio pela esquerda, que ele mesmo havia conquistado; o goleiro saiu em falso e a bola sobrou para De Rossi marcar.
Com o empate, a Itália passou a dominar as ações, mas seguia finalizando pouco. O momento de maior perigo acontceu aos 37 minutos, quando Montolivo, de fora da área, acertou um chute forte, rasteiro, que deu trabalho ao goleiro paraguaio. O Paraguai, aos poucos, se contentava com o emapte. E, entre o contentamento de um, e o domínio ineficaz do outro, pode-se dizer que o ponto ganho saiu muito melhor para os paraguaios.
Eslováquia 1×1 Nova Zelândia
Todos felizes e contentes, no estádio Royal Bakofeng, em Rustemburgo: os sul-africanos inauguravam mais um estádio, dos mais modernos do país; a Eslováquia entrava em campo para a sua primeira Copa desde a separação com a República Tcheca; e a Nova Zelândia retornava ao mundial após 28 anos.
Tirando os neozelandeses, estava claro que ninguém acreditava na Nova Zelândia; afinal, lá o futebol ainda engatinha, e a Eslováquia contava com pelo menos um bom jogador, o meio-de-campo Hamsik, do Napoli. Nem o técnico eslovaco, Weiss, conteve a “lógica”, declarando que, com certeza, sua seleção sairia vencedora.
Apesar de tanta descrença, foi a Nova Zelândia quem começou indo para o ataque, com seu atacante Killen, que joga na Segunda Divisão inglesa (no Middlesbrough) concluindo duas vezes, sem particular perigo para o gol de Mucha. A partir dos dez minutos, a Eslováquia tomou conta do meio-campo e tentava empurrar a Nova Zelândia para defesa. A primeira boa chance, no entanto, só veio aos 27 minutos, com Sestak, que bateu rente à trave, com muito perigo. Por volta dos 35 minutos, o goleiro da Nova Zelândia, Patton, foi o protagonista de uma “senhora pixotada”: ele errou na reposição da bola, que ficou nos pés de Vittek, o qual não aproveitou a oportunidade. A Nova Zelândia responderia minutos mais tarde, com uma boa conclusão de Smeltz, que Mucha espalmou para fora.
No segundo tempo, entrou em cena a arbitragem: aos 5 minutos, Vittek, em impedimento, foi lançado e completou de cabeça; ainda que irregular, o tento foi validado. O desespero era total entre os neozelandeses, que se perderam completamente em campo e, aos 24, numa jogada parecida, quase sofreram o segundo gol, pelos pés do mesmo Vittek, que, dessa vez, foi interceptado por Reid.
A Eslováquia, incompreensivelmente, resolveu recuar e chamou a Nova Zelândia para seu campo. Aos 43 minutos, Lockhed cruzou para a boa cabeçada de Smeltz, que estava livre e concluiu para fora. No último minuto, a redenção: Hamsik perdeu a bola para Smeltz, que cruzou na cabeça de Reid para empatar o jogo. Fora com as certezas de Weiss: a Nova Zelândia, pequenina e humilde, fazia festa e comovia o mundo.
GRUPO F
01. Eslováquia (1) [OITAVAS-DE-FINAL]
02. Itália (1) [OITAVAS-DE-FINAL]
—————————————————————————-
03. Paraguai (1)
04. Nova Zelândia (1)
Leia Mais:
- COPA DO MUNDO – GRUPO F – PARAGUAI PASSA LÍDER E ESLOVÁQUIA MATA A ITÁLIA DE VERGONHA
- COPA DO MUNDO – GRUPO F – PARAGUAI NO COMANDO. ITÁLIA SURPREENDIDA E EM PERIGO
- COPA DO MUNDO – GRUPO D – SÉRVIA MOSTRA FORÇA E GANA PERDE A VONTADE
- COPA DO MUNDO – GRUPO A – URUGUAI CALA A ÁFRICA DO SUL
- COPA DO MUNDO – GRUPO A – URUGUAI E MÉXICO DISPENSAM A MARMELADA. FIM BRIOSO PARA A ÁFRICA DO SUL E MELANCÓLICO PARA A FRANÇA


