Tranqüilos e desesperados, no Grupo F. Os tranqüilos jogavam no estádio Peter Mokobwa, em Polokwane; eram: Paraguai, praticamente classificado, e Nova Zelândia, que já tinha aprontado das suas no mundial e não tinha nada a perder.
Já no Ellis Park, em Joanesburgo, o palco estava montado para o desespero de Itália e Eslováquia: quem vencesse passaria e, dependendo do resultado paralelo, um empate poderia matar ambos. Era para lá que os refletores estavam apontados. As luzes, desde o primeiro minuto, mostravam uma Itália em franca confusão, dominada em todos os setores do campo pela forte marcação eslovaca.
A pretensa ousadia de Lippi, que procurou revolucionar o setor ofensivo com a entrada de Di Natale (mas insistindo em Iaquinta, com Pazzini no banco) esbarrava na ausência de jogo no meio-de-campo. Logo aos quatro minutos, a Eslováquia teve uma grande chance, com uma bola “espirrada” por Vittek que Hamsik, sozinho, bateu sem precisão. Os eslovacos passaram a rondar a área italiana. A Itália era induzida ao erro, e aceitava a pressão. Aos 25 minutos, não houve clemência: De Rossi errou na saída de bola e Kucka acionou Vittek, que bateu forte, com Marchetti no meio do caminho.
Era o começo do drama e das contas italianas: Paraguai e Nova Zelândia seguiam empatando, em Polokwane; àquela altura, a atual campeã mundial precisava de um empate. O que se via, porém, era um time afobado. A defesa italiana, inacreditavelmente, não mostrava recursos. Cannavaro, mais uma vez “inassistível”, traiu (ou confirmou) a expectativa. A Eslováquia chegava com facilidade e quase ampliou, no final do primeiro tempo, com Kucka, que bateu de primeira após um bom lance de Vittek, pela direita.
Para a segunda etapa, Lippi trocou Criscito com Maggio e Gattuso com Quagliarella. A dupla do Napoli deu mais esperança, mas, pelo menos num primeiro momento, não aumentou a qualidade da Azzurra. De nada adiantava que o Paraguai estivesse sufocando a Nova Zelândia se, em Joanesburgo, o gol italiano estava ao limite do inalcançável: a Eslováquia estava segura e era capaz de trocar passes seguidos, tanto na defesa quanto em progressão.
Lippi jogou sua última cartada com a entrada de Pirlo, no lugar de Montolivo. Pela primeira vez na Copa, a Itália tinha um meia de ofício e ensaiou uma pressão. Di Natale conseguiu um bom chute, aos 17 minutos, que obrigou Mucha a uma defesa difícil. Cinco minutos mais tarde, Pepe cruzou da esquerda e Quagliarela bateu com força: o zagueiro Srktel salvou, em cima da linha.
A Eslováquia, porém, era fria e “cínica”. Aos 24 minutos, após cobrança de escanteio, Chiellini afastou mal e Hamsik cruzou, no chão, para Vittek marcar seu segundo gol, o segundo da Eslováquia. Estava armado um daqueles enredos de ópera de Verdi, com a Itália que recebia ajuda do Paraguai – que não era minimamente pressionado pela Nova Zelândia – mas era incapaz de se ajudar.
A sorte pareceu mudar quando, aos 35 minutos, a Azzurra fez sua grande jogada na partida: triangulação entre Pepe, Iaquinta e Quagliarella, que bateu para o gol; no rebote de Mucha, Di Natale marcou e diminuiu. O jogo se acendeu e ganhou em emoção. Aos 40 minutos, Di Natale cruzou para a área; a bola encontrou Quagliarella, que dominou e marcou. Ele, porém, estava milimetricamente impedido, e o gol foi bem anulado.

Berlim está distante: quatro anos depois, a campeã do mundo morre, sem uma vitória sequer e no último lugar do seu grupo (Foto: Getty Images)
A palavra final, porém, era da defesa italiana: aos 44 minutos, toda a retaguarda azzurra se deixou surpreender por uma cobrança de lateral que chegou a Kopunek; ele teve calma para, com apenas um toque, encobrir Marchetti. A Itália ainda suspirou, aos 47 minutos, com um lindo gol de Quagliarella, de fora da área.
Pepe teria a chance de empatar, no último lance. Àquela altura, Paraguai e Nova Zelândia já tinham empatado sem gols, e o empate classificaria a Itália. Seria uma injustiça: desmoralizada, envelhecida e sem comando, a Itália abandona o mundial, pela primeira vez, sem vencer um jogo sequer, com a pior campanha de sua história, na lanterna do grupo. Foi a única que não fez festa: Paraguai e Eslováquia (em sua primeira participação após a separação com a República Tcheca) comemoraram, e muito, suas classificações, e a Nova Zelândia saiu de cabeça erguida –e invicta.
GRUPO F
01. Paraguai (5) [OITAVAS-DE-FINAL]
02. Eslováquia (4) [OITAVAS-DE-FINAL]
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03. Nova Zelândia (3)
04. Itália (2)
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