No Grupo E, a Holanda confirmou seu grande jogo e Camarões foi surpreendido por um Japão muito aplicado.
Holanda 2×0 Dinamarca
Holanda e Dinamarca são dois países que, em tempos diferentes, por motivos diferentes, escreveram seus nomes na história as Copas: em 1974, os holandeses, guiados pelo sempre genial técnico Rinus Michels, foi vice-campeã, mostrando ao mundo a tática do “carrossel holandês” (em 1978, já menos badalados, repetiriam a campanha); os dinamarqueses formaram, em 1986, um dos times mais extremados do futebol de seleções, a chamada “Dinamáquina”, que triturou seus adversários, na fase de grupos, com a mesma rapidez com a qual foi triturada, logo nas oitavas-de-final. Muitos anos depois, essas duas escolas européias, que privilegiam a posse de bola, encontraram-se, no estádio Soccer City, em Joanesburgo.
Pode-se dizer que este foi um jogo de opostos: a Holanda, mesmo sem Robben, não abdicou da mentalidade ofensiva que já ostenta 13 jogos de invencibilidade, com o tridente ofensivo composto por Kyut, Van Persie e Van der Vaart, apoiados por Sneijder; e a Dinamarca, que tinha suas esperanças de gol concentradas apenas no atacante Bendter – que vinha de lesão – veio mais defensiva para campo, mas nem por isso menos perigosa. Foram os dinamarqueses, os primeiros a buscar o ataque, sem êxito. a Holanda criou sua primeira boa chance aos nove minutos, com o tiro de Kyut, da entrada da área.
Aos poucos, os holandeses acalmavam o jogo e trocavam passes. Aos 19 minutos, blitz da “laranja mecânica”: primeiro foi Van der Vaart que, próximo da área, bateu para que o zagueiro Agger desviasse em escanteio; na cobrança, novamente ele, cara a cara com o goleiro dinamarquês Sorensen, bateu para fora. A Dinamarca respondeu um pouco mais tarde, quase aos 30 minutos, com uma boa cabeçada de Bendter, fora por pouquíssimo. Depois, quase no final da primeira etapa, foi a vez da blitz da Dinamarca: aos 36 minutos, Rommedahl acertou um bom chute, de fora da área, que deu trabalho para Stekelenburg; um minuto depois, novamente Rommedhal, ao receber de Bendter bateu cruzado e obrigou o goleiro holandês a uma defesa elástica.
Tudo se encaminhava para um segundo tempo ainda mais equilibrado. Foi aí que a sorte entrou em campo. Van der Vaart seguiu uma bola longa e, aparentemente, despretensiosa; Sorensen saiu mal do gol e o zagueiro dinamarques Poulsem ao tentar cortar, cabeceou nas costas de Agger e a bola morreu no gol: sorte a Holanda, azar da Dinamarca. Foi um golpe praticamente fatal para o jogo dinamarquês, que se viu perdido e sem poder de reação, em muito pela condição física ainda vacilante de seuastro Bendter. Os holandeses – Van Persie, em particular – seguiam semeando o terror no campo de ataque adversário. Aos 38 minutos, o tiro de misericórdia: Sneijder lançou o jovem Elia, que avançou e bateu na saída de Sorensen; a bola tocou na trave e, no rebote, Kyut completou para o gol vazio. O jogo, com efeito, acabava ali – para delírio das lindíssimas torcedoras holandesas, nas arquibancadas.
Japão 1×0 Camarões
Japão e Camarões, definitivamente, já não são mais os mesmos. Os japoneses, compreendidos todos os seus limites técnicos, têm melhorado sensivelmente – em muito, devido às suas seguidas participações em mundiais. Os camaroneses, conhecidos por seu futebol alegre e insinuante, já têm demonstrado um “farol baixo” há alguns anos.
Por isso, o que se viu no estádio Free Point, em Bloemfontein, foi um jogo rigorosamente igual, muito povoado no meio-de-campo. Camarões era ligeiramente mais ofensivo, mas cometia o pecado fatal de ter Eto’o mais na meia do que como externo ofensivo. A primeira conclusão em gol verdadeira aconteceu aos 37 minutos, por parte de Camarões, com Eyong que bateu para boa defesa de Kawashima. A resposta japonesa veio um minuto depois, fatal: em bola cruzada na direita, Honda dominou e bateu na saída de Souleymanou para marcar.
No segundo tempo, Eto’o se fez vivo, mas, para sua tristeza (e de Camarões) ele jogava praticamente só. Aos três minutos, ele fez uma boa jogada, vencendo três marcadores e rolando para Choupo-Moting, que desperdiçou uma grande oportunidade. Os africanos ensaiaram uma blitz: aos nove minutos, com Webo, que cabeceou para fora; e aos 11, com Moting finalizando para fora após uma grande jogada, pela esquerda do ataque.
A zaga japonesa, porém, estava solidamente postada, e resistia às investidas camaronesas. Eto’o, aos poucos, era neutralizado, e ficava cada vez mais distante dos atacantes (na certa ansiando que fosse um deles). Camarões teve a chance derradeira do empate no chute de fora da área de Mbia, que venceu o goleiro Kawashima, mas bateu no travessão.
GRUPO E
01. Holanda (3) [OITAVAS-DE-FINAL]
02. Japão (3) [OITAVAS-DE-FINAL]
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03. Camarões (0)
04. Dinamarca (0)
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