Uma Alemanha africana e uma Gana germânica: esta, talvez, seja a melhor forma de definir a primeira rodada do grupo D da Copa do Mundo. Os africanos, conhecidos por seu futebol irrevente, tiveram de jogar com mais força que o normal para conseguir a vitória, enquanto a “ex-pragmática” Alemanha surpreendeu a todos com um futebol veloz e irreverente, de toque de bol refinado e ofensivo.
Sérvia 0×1 Gana
O confronto entre Sérvia e Gana, no Loftus Versfeld Stadium, em Pretória, já nasceu histórico: pela primeira vez, o país europeu entrou em campo para disputar uma Copa do Mundo como uma nação completamente independente – da última vez, em 2006, atuou como Sérvia-Montenegro e, em outras tantas oportunidades, ainda fazia parte da antiga Iugoslávia. Outra fato histórico: o sérvio Dejan Stankovic tornou-se o primeiro atleta a defender (ainda que involuntariamente) três seleções diferentes: Iugoslávia (1998), Sérvia-Montenegro (2006) e, finalmente, Sérvia (2010).
Mas não eram só os europeus que buscavam seu espaço na história. Gana, que chegava à sua segunda Copa do Mundo consecutiva, estava (e ainda está) disposta a prolongar a boa impressão de quatro anos atrás, quando chegou às oitavas-de-final; além disso, os ganeses poderiam conseguir a primeira vitória de uma equipe africana, em solo africano, na história das Copas.
Expectativas e motivações à parte, em campo, viu-se um jogo um tanto confuso, que alternava boas descidas ao ataque, entre ganeses e sérvios, mas poucas finalizações realmente perigosas. A primeira chance real de gol foi de Gana: aos 23 minutos, os ganeses trocaram passes dentro da área sérvia e Boatemi cruzou para Gyan, que concluiu com perigo, estando perto de abrir o placar. Depois disso, a Sérvia reapareceu no jogo, e tentou com alguns ataques isolados e uma boa cobrança ensaiada de falta, aos 26 minutos, em que Pantelic apareceu livre, pelo lao direito, mas não teve domínio. Stankovic só se fez notar aos 40 minutos, com uma batida de fora da área, defendida, em dois tempos, pelo goleiro ganês Kingston.
Na segunda etapa, Gana voltou com mais ímpeto e empurrou a Sérvia para trás. As chances de gol perdidas iam se acumulando: Ayew, primeiro de cabeça, depois com a bola no chão, errou o alvo duas vezes; Gyan, no jogo aéreo, acertou a trave, aos 11 minutos. Aos 29 minutos, a Sérvia ficou com dez homens em campo, após a expulsão de Lukovic. Curiosamente, os sérvios conseguiram criar boas chances, mesmo em desvantagem numérica. Aos 37 minutos, o lance capital: Gana teve um pênalti marcado, após Kuzmanovic cortar um cruzamento com a mão, dentro da área. Cobrando com calma, Gyan converteu, para delírios de ganeses e sul-africanos, nas arquibancadas. Era o gol da vitória.
Alemanha 4×0 Austrália
“Mas essa é mesmo a Alemanha?”. Esse foi o comentário geral após a estréia germânica na Copa do Mundo. Acostumada a demonstrar um futebol, embora marcado por uma notável disciplina tática, dito “mecânico”, a Alemanha, pelo menos em seu primeiro jogo, venceu e deu espetáculo praticando um futebol puramente ofensivo e de toque de bola, mas sem prescindir do peso que tem em sua defesa. Os méritos vão ao treinador Joachin Löw, que conseguiu enxergar além da tradição alemã, e fugiu do convecional.
A Austrália, neste enredo, foi uma mera vítima das cincunstâncias, não só por ter batido de frente com uma Alemanha ousada; mas, como observou muito bem o comentarista Walter Casagrande Júnior, da Rede Globo, por ter mudado seu estilo de jogo, da escola inglesa – pragmática, com um líbero e jogo aéreo – para aquela holandesa (linha de impedimento e jogo veloz), renunciando à evolução que apresentara na Copa passada,
Perdida em campo desde os primeiros minutos, a Austrália foi a convidada de honra para o show particular do meia Özil, jogador cerebral da seleção alemã que, com seus passes e lançamentos, semeou o terror por todo o campo adversário. O primeiro gol da Alemanha começou a partir de seus pés: ele entregou a bola para Müller, na direita, que rolou para trás, para o chute certeiro de Podolski.
Em vantagem no placar, a Alemanha, que já era forte, passou a ser um força da natureza. O centro-avante Klose, que busca igualar o mito Gerd Müller e, quem sabe, ultrapassar a artilharia história de Ronaldo “Fenômeno” em Copas, perdeu dois gols antes de deixar o seu, de cabeça, aproveitando o cruzamento de Lahm. Os germânicos iam para cima, como se fossem rolos compressores: depois de muito servir os companheiros, Özil foi lançado pela direita e, cara-a-cara com o goleiro Schwarzer, deu uma cavadinha, encobrindo o máximo defensor; não fosse a zaga australiana, a bola teria entrado.
No segundo tempo, logo aos dez minutos, a situação australiana evoluiu de trágica para tragicômica, após Cahill ter sido expuslo (merecidamente) por um falta em Schweinsteiger. A Alemanha alçou vôo mais uma vez, e, aos 23 minutos, marcou o terceiro: Özil lançou Müller, que dominou e girou antes de bater (a bola ainda tocou na trave antes de entrar). Logo após o terceiro gol, Kakau entrou no lugar de Klose, e tambem deixou o seu: Özil – sempre ele – encarou a jogada pela esquerda, foi ao fundo e cruzou para a área, onde o atacante, de ascendência brasileira, completou, livre. Foi o fim de uma verdadeira lição de futebol e, quem sabe, o começo de um sonho para a Alemanha.
GRUPO D
01. Alemanha (3) [OITAVAS-DE-FINAL]
02. Gana (3) [OITAVAS-DE-FINAL]
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03. Servia (0)
04. Austrália (0)
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