Royal Bafokeng Stadium em Rustemburgo, e Free State, em Bloemfontein: dois estádios diferentes, em duas cidades diferentes que, num tempo igual, definiriam as duas equipes classificadas para as oitavas de final da Copa do Mundo.
No primeiro estádio, os dois líderes do grupo, Uruguai e México, se enfrentavam. Poderia ser o jogo que garantiria as duas equipes na fase decisiva, mas também poderia eliminar (clamorosamente) uma delas da disputa.
Já em Bloemfontein, África do Sul e França buscavam o milagre de recuperar a diferença de três pontos, e muitos gols, para México ou Uruguai. A África do Sul, dona da festa, corria o risco de ser a primeira anfitriã a não ir além da fase de grupos. A França, castigada pelas inúmeras crises internas – que foram definidas como “vergonhas morais” pelo ministério dos esportes francês – tentava, pelo menos, ter um pouco de paz.
Para muitos, o desfecho já estava escrito: Uruguai e México empatariam o jogo e se garantiriam. Não foi bem assim. Tanto uruguaios quanto mexicanos tinham a claríssima motivação de evitar a Argentina, que provavelmente seria a primeira colocada do Grupo B. Por isso, todos tentaram atacar. Os mexicanos, no começo, foram mais incisivos, com Franco e Blanco se desdobrando para encontrar espaços na marcação uruguaia. Aos 20 minutos, Guardado acertou o travessão do Uruguai, num bonito chute, de fora da área.
Um minuto depois, o Free State viria abaixo com o primeiro gol da África do Sul: Tshabalala cobrou escanteio e Khumalo se aproveitou da falha do goleiro Lloris para marcar. Com a situação de momento, ainda faltavam quatro gols para os sul-africanos; era difícil, mas havia esperança, que aumentou ainda mais quando Gourcuff foi expulso. Os donos da casa aumentaram o ritmo e marcaram mais uma vez, aos 37 minutos, com Mphela. Seis minutos depois, em Rustemburgo, Suárez marcou para o Uruguai, aproveitando um cruzamento de Cavani.
Para a África do Sul, agora, faltavam apenas mais dois gols. No segundo tempo, aconteceram repetidas tentativas do time sul-africano. Cada lance errado era a constatação de que o tempo estava acabando. No Royal Bakokeng, o técnico mexicano Aguirre mandou o time para o ataque, com Barrera no lugar de Guardado. Era inútil: a marcação uruguaia não oferecia espaços e, nos ataques de Forlán, o segundo gol parecia próximo.
Aos 24 minutos, porém, chegou o gol que resolveu tudo. E, por incrível que pareça, foi marcado pela França, até agora a grande coadjuvante da história. Em descida rápida, Sagna abriu o jogo para Ribery, na direita, que enxergou Malouda livre, na área, para marcar. Primeiro gol francês no mundial; belíssimo, aliás, que fez ver aquela que deveria ser a verdadeira França. Estamos certos de que se as vaidades fossem menores (e o técnico, outro) teria sido uma música muito diferente.
Foi um tiro a sangue frio na esperança da África do Sul, e um alívio de tamanho do mundo, pelos lados mexicanos. Mundo que, agora, deixa para trás uma campeã (França) e uma anfitriã alegre.
GRUPO A
01. Uruguai (7) [OITAVAS-DE-FINAL]
02. México (4) [OITAVAS-DE-FINAL]
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03. África do Sul (4)
04. França (1)
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