
Para mudar a história: após 32 anos, a Holanda vive, pela terceira vez, a expectativa de ser campeã mundial (Foto: AFP)
Holanda 3×2 Uruguai
Independentemente de como terminasse, a história seria a protagonista do duelo entre Holanda e Uruguai, no estádio Green Point, na cidade do Cidade do Cabo. A diferença era a motivação: os holandeses buscavam a sua terceira final mundial para, quem sabe, reescrever os finais frustrados das Copas de 1974 e 1978, quando, mesmo com equipes fantásticas, ficou sem o título; já a celeste, há muitos anos sem destaque, pretendia se reapoderar da própria história vencedora, que a consagrou bicampeã mundial e olímpica na primeira metade do século XX.
Um conflito pautado por esperança e desfalques. No lado do Uruguai, eram três: os defensores Lugano e Fucile (o primeiro, capitão da equipe) e o goleador Suárez, um dos “protagonistas” da inacreditável vitória contra Gana, nas quartas de final. A Holanda sentiria falta de Van der Wiel, um dos destaques do time na marcação, e do volante De Jong, também importante no sistema defensivo.
Como, porém, a cultura do futebol holandês é voltada para o ataque, a “laranja” tratou de povoar o campo uruguaio logo no começo do jogo. A marcação do Uruguai, de princípio, era confusa e dava um pouco de liberdade aos holandeses. A maior prova disso aconteceu aos três minutos: Sneijder encontrou liberdade pela direita e cruzou para a área; Muslera saiu de soco, mas não conseguiu afastar a bola, que sobrou para Kuyt bater, com muito perigo, por cima da meta uruguaia.
Foi um susto grande, mas não o bastante para por medo no Uruguai, que respondeu quase em seguida, com um belo chute, de fora da área, de Álvaro Pereira, que por pouco não pegou o goleiro Stekelenburg adiantado.
Os dois times tentavam. Kuyt era o mais acionado pelos lados da “laranja”, e buscava jogo com todos. Do lado uruguaio, Fórlan parecia sentir a falta de Suárez: mais à frente que de costume, seus passes não se entendiam com o posicionamento de Cavani, e boas jogadas morriam prematuramente.
Sem grandes lampejos ofensivos, o Uruguai passou a se preocupar mais com a marcação – principalmente sobre o trio ofensivo holandês: Kuyt, Sneijder e Robben. A Holanda tinha a posse de bola, mas não conseguia ir à frente com agressividade. Pacientemente, os jogadores da “laranja” tocavam a bola na procura de espaços. Aos 18 minutos, porém, Van Bronckhorst perdeu a paciência e bateu para o gol, da esquerda, de fora da área: a bola ganhou velocidade e morreu no ângulo oposto de Muslera, que jamais conseguiria defender.
Com a vantagem holandesa, os papéis se inverteram: agora era a Holanda que marcava a saída de bola uruguaia. O Uruguai, um pouco atordoado, não soube o que fazer por um bom quarto de hora, tempo necessário para que o time retomasse a tranqüilidade e tentasse o ataque.
Sem grandes entendimentos com Cavani (que, porém, esforçava-se muito), Fórlan passou a tramar o jogo a partir das faixas. Depois de algumas tentativas sem êxito, aos 37 minutos conseguiu-se uma boa jogada: Álvaro Pereira foi para o fundo e, da esquerda, cruzou para área, onde Fórlan cabeceou por cima do gol, com perigo. Dois minutos depois, ele decidiu: ao receber uma bola pela direita, Fórlan a trouxe para o meio e, de muito longe, acertou um chute forte, que pegou Stekelenburg um pouco adiantado; a bola morreu na rede, exatamente no meio da meta.
Na segunda etapa, o técnico holandês Van Marwijk fez jus à tradição ofensiva do futebol de seu país e trocou o volante De Zeeuw pelo atacante Van der Vaart. Quem levou perigo primeiro, porém, foi o Uruguai, logo aos cinco minutos: o zagueiro Boulahrouze recuou mal para Stekelenburg e a bola foi interceptada por Cavani, que tocou rápido para Álvaro Pereira; seu tiro para o gol foi bloqueado por Bronckhorst na hora certa.
A próxima boa movimentação só aconteceria aos 21 minutos, mais uma vez pelos lados da celeste: Fórlan bateu uma falta da esquerda, no chão, e obrigou Stekelenburg a fazer uma defesa complicada, espalmando para a lateral. A resposta holandesa veio apenas um minuto depois: Vand der Vaart recebeu grande passe de Van Persie e, na conclusão, Muslera fez uma grande defesa; no rebote, Robben não aproveitou.
O último lance animara a Holanda que, mais organizada, tentou o assalto à porta uruguaia. Aos 24 minutos, após ter trocado passes com liberdade à frente da defesa uruguaia, conseguiu: Sneijder recebeu em condições de concluir, um pouco além do limite do bico esquerdo da grande áerea uruguaia, e bateu para o gol; a bola resvalou em Maxi Pereira e Muslera, atrapalhado por Van Persie (em posição irregular), não conseguiu defender. Lance ilegal, mas validado.
Foi um golpe duro para o Uruguai e que sequer pôde ser assimilado: aos 28 minutos, Kuyt foi acionado pela equerda e cruzou para a áea, onde Robben subiu mais que a zaga celeste e colocou a bola no cantinho direito de Muslera. Mais do que uma blitz, uma verdadeira avalanche, que deixou o Uruguai em estado de choque. Seu técnico tentou a reação imediata, trocando Álvaro Pereira por “Loco” Abreu – quem sabe um pouco tarde demais – e, depois, Fórlan (esgotado) por Fernandez.
Dizer que o Uruguai não tentou seria uma injustiça. O time, porém, tropeçava no nervosismo, àquela altura comum para todos. E, à fúria de tentar seu gol, deixava espaços e mais espaços para a Holanda: aos 41 minutos, Robben foi lançado por Kuyt e, cara-a-cara com Muslera, tentou, sem sucesso, encobri-lo com um toque sutil. Pouco tempo depois, o astro da “laranja” daria lugar para o meia velocista Elia. A Holanda administrava o jogo quando, no primeiro dos três minutos de acréscimo, Maxi Pereira recebeu de Gargano na direita e, quase como fizera Sneijder, bateu cruzado e venceu Stekelenburg.
Nos minutos finais, as tentativas desesperadas do Uruguai de tentar o terceiro gol foram em vão. Após 32 anos, a Holanda volta à final de uma Copa do Mundo e se mostra pornta para cobrar a “dívida” de 1974 e 1978.
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