Salve, amigos do Esquadrão Interativo.
A corrida a dois pelo Scudetto, entre Internazionale e Roma, conheceu seu derradeiro capítulo, hoje. E, por falar em corrida, podemos dizer que o vencedor foi definido em uma espécie de Palio di Siena: com um gol de Milito, contra o rebaixado Siena, a Internazionale conquistou seu décimo-oitavo Scudetto e o primeiro pentacampeonato de sua história. Em Verona, a Roma, embalada por mais de 18 mil de seus torcedores, venceu, mas teve de se contentar com o vice-campeonato.

A Inter dos recordes: clube entra no rol dos pentacampeões da Bota e ultrapassa o rival Milan em número de conquistas (Foto: La Presse)
Separadas por muitos e muitos quilômetros, as cidades de Siena, na Toscana, e Verona, no Veneto, poderiam ser palcos da história. Em Siena, o rebaixado time da casa receberia a Internazionale, na dependência de uma vitória para conquistar seu décimo-oitavo Scudetto e o primeiro pentacampeonato de sua mais que centenária história. Em Verona, mais de 18 mil torcedores viajaram junto com a Roma para enfrenar o Chievo; se vencesse – e a Inter topeçasse – o time da capital poderia festejar seu quarto título italiano, talvez o mais emocionante de sua vida.
A rivalidade também marcava o duelo pela flâmula tricolor, dentro e fora de campo. No terreno de jogo, ainda estavam vivas as lembranças da tumultuada final da Coppa Italia, disputada justamente entre Inter e Roma, e vencida pelo time nerazzurro. Fora de campo, quem dava o tom eram os presidentes dos adversários da rodada: Campedelli, patrono do Chievo, é interista juramentado, ao psso que Mezzaroma, presidente do Siena, é romanista fanático.
E, assim, partiu-se, tanto em Siena quanto em Verona.
A Internazionale teve problemas, no primeiro tempo, com um Siena com muito mais vontade do que se poderia imaginar, que se defendia bem e partia perigosamente em contra-ataque – obrigando Júlio César a fazer duas defesas importantes. A Inter, porém, estava no jogo; mas, por mais de uma vez, teria de esbarrar no goleiro Curci, em uma tarde de verdadeiro protagonista. Foi dele a defesa da cabeçada, a queima-roupa, de Milito, aos 22 minutos. Antes, aos 14, o argentino, lançado em profundidade, entrou nas costas da defesa e se viu sem ângulo após a excelente sída do goleiro senese, concluindo para fora (por pouco).
Aos 39 minutos, em Verona, Vucinic abria o placar para a Roma. Apenas seis minutos depois, De Rossi, com uma bomba, de fora da área, ampliava para o time da capital. Àquela altura, o Scudetto, clamorosamente, mudava de mãos. E é de se presumir que a notícia tenha chegado rapidamente a Siena, pois a Internazionale terminou a primeira etapa de forma nervosa e desordenada.
No segundo tempo, a Roma tinha segura, a vitória contra o Chievo, e, agora, travava sua batalha individual contra a má sorte dos últimos cinco anos, em que fechou vice-campeã por três vezes. A sorte, porém, estava do lado da Internazionale. “Sorte”, se quisermos chamá-la assim: Mourinho, atento, tirou Thiago Motta e colocou Pandev, em seu lugar; a Internazionale foi para a frente e prendeu o Siena em sua própria área. O gol era uma questão de tempo, e veio aos 11 minutos.
Sempre ele, Diego Milito, o bomber que nunca trai as expectativas. Um gol com sua marca: o argentino recebeu a bola na entrada da área, pelo lado esquerdo, avançou se livrando dos marcadores e bateu na saía de Curci. O Artemio Franchi, em êxtase, já sabia quem era o campeão da Itália. Nos próximos trinta minutos, apenas um susto: Rosi, do Siena, foi para a linha de fundo e cruzou; seu chute, defeituoso, acabou se revelando uma arma quase fatal, que não entrou no gol por muito pouco, com Júlio César no meio do caminho.

Êxodo urbano: mais de 18 mil torcedores romanistas, em Verona. O scudeto, porém, escapou (Foto: Getty Images)
Com aquela bola, foram-se as esperanças da Roma. E começou a festa da Internazionale. Os nerazzurri de Milano voltam a dominar a lista de Scudetti da cidade – 18, contra 17 do Milan – e entra no seleto clube de pentacampeões italianos (antes, apenas Juventus e Torino tinham este privilégio). Para a Roma, ficou o amargo na boca, não só por mais um vice-campeonato, mas pela certeza de que o Scudetto foi perdido na derrota ante a Sampdoria, diante de sua gente; a mesma gente que promoveu um verdadeiro êxodo urbano para Verona e saiu de lá de mãos vazias, mas jurando mais amor ao clube.

Tempos europeus: o Palermo vencia e tinha vaga na Champions' (Foto: Ansa) até Pazzini marcar o gol da Sampdoria contra o Napoli (Foto: Ap)
Nem só de Scudetto, porém, vive-se, na Itália. Enquanto Internazionale e Roma decidiam o campeonato, Sampdoria e Palermo perseguiam um sonho histórico: a Champions’ League. Para a Doria, seria a segunda participação, depois de sua fantastica estréia, em 1991-92 (em que foi vice-campeã); para o Palermo, valia a caça da primeira participação de um clube da Sicilia no principal torneio europeu.
A Sampdoria precisava de uma vitória contra o Napoli, qualquer que fosse o placar. Para o Palermo, a vitória contra a Atalanta rebaixada só valeria se viesse acompanhada por um torpeço do rival da Liguria. E o Palermo esteve muito perto. Jogando em Bergamo, os rosaneri, com um gol de Cavani, aos 12 minutos do primeiro tempo, abriram o placar e, naquele momento, chegaram à quarta posição, pois a Sampdoria empatava, em Genova.
No início do segundo tempo, como num passe de mágica, as coisas mudaram: Ceravolo empatou para a Atalanta, aos 3 minutos e Pazzini, aos 6, marcou o gol da vitória da Sampdoria. Era o gol da Champions’ League, que permaneceu segura mesmo quando Cavani marcou o segundo do Palermo – que, de qualquer forma, conclui uma ótima temporada e retorna à Europa.
RESULTADOS:
Siena 0×1 Internazionale
Chievo 0×2 Roma
Milan 3×0 Juventus
Sampdoria 1×0 Napoli
Atalanta 1×2 Palermo
Parma 4×1 Livorno
Genoa 0×1 Catania
Lazio 3×1 Udinese
Bari 2×0 Fiorentina
Cagliari 1×1 Bologna
CLASSIFICAÇÃO:
01. Internazionale (82) [CAMPEÃ, UCL]
——————————————————————————–
02. Roma (79) [UCL]
03. Milan (70) [UCL]
——————————————————————————–
04. Sampdoria (67) [PLAY OFF UCL]
——————————————————————————–
05. Palermo (65) [EUROPA LEAGUE]
06. Napoli (59) [EUROPA LEAGUE]
——————————————————————————–
07. Juventus (55) [PLAY OFF EUROPA LEAGUE]
——————————————————————————–
08. Parma (52)
09. Genoa (51)
10. Bari (50)
11. Fiorentina (47)
12. Lazio (46)
13. Catania (45)
14. Chievo (44)
15. Udinese (44)
16. Cagliari (44)
17. Bologna (42)
——————————————————————————–
18. Atalanta (35) [SERIE B]
19. Siena (31) [SERIE B]
20. Livorno (29) [SERIE B]
Leia Mais:

